Publicado 25 de Março de 2015 - 5h30

Os projetos de mobilidade urbana de Campinas, como o sistema de ônibus rápido, o BRT, e o veículo leve sobre trilhos (VLT), estão atraindo o interesse de empresas francesas do setor que atuam na implantação, operação e fabricação de equipamentos e que ontem se reuniram com o prefeito Jonas Donizette (PSB) para conhecer oportunidades de negócios.

Ainda não há estudo de viabilidade do VLT, embora recursos para contratação tenham sido aprovados pelo Ministério das Cidades. Já em relação ao BRT, a Prefeitura planeja publicar a licitação do projeto executivo e obras no segundo semestre. “As empresas francesas têm experiência na área de transporte e interesse em atuar na cidade”, disse o cônsul geral da França em São Paulo, Damiem Loras. O diretor da área de transportes da Alstom Brasil, Marco Contin, disse que a empresa tem muito interesse no projeto do VLT e quer conversar a respeito, mas acha que a Prefeitura deveria repensar o outro projeto, o dos ônibus rápidos, porque em função da demanda, ele pode ficar obsoleto em pouco tempo. “Cidades como Curitiba e Bogotá (Colômbia) já estão repensando seus BRTs e projetando metrôs. Campinas deveria fazer um estudo firme de demanda antes de decidir”, afirmou.

Empresas como a Sociedade Nacional de Estradas de Ferro (SNCF), que atua na implantação e operação de transporte de passageiros e mercadorias; a Systra, empresa líder mundial no segmento de infraestrutura e transporte público presente em 78 países e a RATP, operadora do metrô e da rede expresso regional (RER) na região metropolitana de Paris, estão entre as francesas que agendaram novas reuniões com a Secretaria de Transportes. “Queremos parcerias nesses projetos”, disse Daniel Nogueira, do Grupo RATP.

O diretor da Systra no Brasil, Olivier Maillefaud, disse que a empresa tem interesse nos projetos locais de transporte, mas também no trem regional, que está sendo projetado pelo governo do Estado para ligar as regiões metropolitanas de Campinas, Vale do Paraíba, São Paulo e Santos. O projeto, que também desperta o interesse da Alstom, prevê 431 quilômetros de ferrovia que ligarão Americana a Santos, Taubaté a Sorocaba e que se cruzarão em São Paulo. O trem sairá de Americana, passará por Santa Bárbara, Sumaré, Hortolândia, Campinas, Valinhos, Vinhedo, Louveira, Jundiaí e chegará à Capital paulista. O custo previsto para interligar a macrometrópole formada pelas quatro regiões metropolitanas — Campinas, Vale do Paraíba, São Paulo e Santos — está estimado em R$ 20 bilhões, sendo R$ 4 bilhões de recursos públicos.

Governo retoma o plano de garagens subterrâneas

O prefeito Jonas Donizette (PSB) vai retomar a proposta de construção de garagens subterrâneas na região central, um das principais apostas do prefeito cassado Hélio de Oliveira Santos (PDT) para a revitalização do Centro, mas que não chegou a sair do papel por falta de interesse dos empresários do setor. O secretário de Desenvolvimento Econômico, Samuel Rossilho, informou ontem, em encontro com executivos franceses, que a proposta é a formação de uma parceria público-privada (PPP) para construir e operar os equipamentos, dentro do projeto de revitalização que começou a ser implantado na Avenida Francisco Glicério.

Uma das empresas francesas do setor, a Vinci Park, que opera mais de 2,5 mil estacionamentos em 14 países e atua na concepção de gestão de empreendimentos e de sistemas de cobrança de estacionamentos, informou ter interesse no projeto. Segundo o diretor corporativo da Moving/Vinci Park, Jean Gadrat, a empresa tem interesse em ajudar nas questões de mobilidade, com sua experiência de atuação em mais de 600 cidades.

Rossilho informou que a intenção da Administração é montar a PPP para buscar resolver um dos gargalos da região central, que é a vaga para paradas de veículos. “Vamos retomar essa discussão, porque precisamos de alternativas”, disse.

Quando o projeto foi lançado em 2008, a Prefeitura planejava instalar esses equipamentos no Mercado Municipal, Largo do Rosário e ao lado do Paço Municipal. As regras restritivas do projeto afastaram potenciais interessados — os empresários do setor acreditavam ser inviável uma única empresa ou consórcio construir as três garagens em único lote como queria a Prefeitura. Os empresários também queriam um tratamento diferenciado na tarifa a ser cobrada nas garagens subterrâneas. Se tivessem que cobrar o mesmo valor praticado pelos demais empreendimentos, dizem, seria inviável, porque eles terão custos extras, como pagar uma outorga pela concessão e arcar com mais uma outorga mensal calculada em um percentual do faturamento.

Para que o setor tenha interesse, informou um empresário que pediu para não ser identificado, haverá necessidade de incentivos fiscais, de facilidades de linhas de financiamento com juros acessíveis, tarifa diferenciada e o fim da exigência de que uma única empresa ou consórcio assuma as três garagens. A previsão era que as três garagens projetadas para o Mercado Municipal, Largo do Rosário e Prefeitura custariam, na época, R$ 47 milhões. (MTC/AAN)

Veículo sobre trilhos espera por estudo

Os estudos de viabilidade do VLT ainda não começaram, apesar de os recursos, de R$ 1,2 milhão, terem sido aprovados pelo Ministério das Cidades — o ministério, segundo o chefe de gabinete da Secretaria de Transportes de Campinas, Paulo Giglio, pediu mudanças no termo de referência que seria utilizado na licitação para a contração do estudo, que foram feitas. Entre as alternativas a serem avaliadas, a Prefeitura manifesta interesse em saber a viabilidade técnica e financeira de ter um VLT sem ponto final, ligando o Centro ao Aeroporto de Viracopos. O estudo apontará estimativa de custo de implantação e melhores alternativas de trajetos — a intenção é aproveitar os leitos ferroviários desativados que cortam a cidade e também as vias urbanas. Quem vencer a licitação terá 60 dias para entregar o estudo. Só depois disso, será preparada a contratação dos projetos básicos, executivo e obras. A Administração não tem, ainda, a fonte de financiamento para a implantação do VLT em Campinas, mas irá buscar os recursos junto ao Ministério das Cidades, dentro do PAC da Mobilidade. O custo só será possível definir quando esses projetos estiverem prontos, mas a implantação do projeto, incluindo obras, material rodante e tudo o que é necessário para funcionar, gira em torno de R$ 80 milhões por quilômetro. (MTC/AAN)