Publicado 25 de Março de 2015 - 5h30

Moradores de pelo menos três bairros que ficam nas proximidades da Refinaria de Paulínia (Replan), localizada às margens da Rodovia Zeferino Vaz, passaram a noite de anteontem e madrugada desta terça-feira apreensivos por causa de fortes barulhos e clarões fora da normalidade vindos da refinaria. Segundo moradores, as chamas do sistema de tochas (espécie de chaminés que ficam com chamas intermitentes) atingiram mais do dobro da altura normalmente observada. A produção da Replan corresponde a 20% de todo o refino de petróleo no Brasil. A Petrobras esclareceu, por meio de nota, que houve liberação de gases para o sistema de tochas (dispositivo de segurança da refinaria) em função de manutenção planejada em equipamento da unidade, iniciada às 13h de segunda-feira.

Ainda na manhã de ontem, um segurança que trabalha na portaria da refinaria confirmou que as chamas estavam acima da normalidade. O barulho ainda pela manhã era muito forte devido à pressão das chamas — algo semelhante ao som de uma turbina de avião.

Foi esse barulho que o comprador Clodoaldo Santana Barbosa, de 42 anos, morador do bairro São José 1, escutou durante boa parte da noite de segunda-feira e início da madrugada de ontem. “Em 20 anos morando aqui nunca tinha ouvido barulho semelhante, e também visto chamas tão altas saindo do flare (uma espécie de maçarico instalado no topo da tocha de segurança utilizado nas indústrias petroquímicas, refinarias e plataformas de produção de petróleo)”, relatou Barbosa, que já trabalhou na refinaria em um escritório próximo a uma das torres. Da sacada de seu quarto o comprador enxerga ao longe a chama das torres. “Quem está próximo sempre pensa no pior”, afirmou Barbosa.

Já a técnica em enfermagem Lilian Cristiane Alves, de 37 anos, que mora nas proximidades da Avenida João Vieira, a pelo menos quatro quilômetros de distância da refinaria, relatou que o clarão foi tão intenso que podia ser confundido com um incêndio. “Escutei também um estrondo muito forte. Peguei o carro e fui até próximo o condomínio residencial Campo do Conde. Percebi que o clarão vinha lá de trás e me informaram que era da refinaria”, relatou. O Corpo de Bombeiros de Paulínia informou que não recebeu nenhum chamado para combate de incêndio na noite de segunda-feira e madrugada de ontem.

O estudante Bruno Oliveira, de 26 anos, conta que chegava em casa na segunda-feira por volta das 23h, e quando entrou no imóvel ouviu dois barulhos muito fortes, “que faziam até pressão nos ouvidos”. “Nunca escutei um barulho tão forte vindo da refinaria”, relatou.

Os comentários nas ruas do Jardim Leonor e São Domingos também relatavam o ocorrido na madrugada. “Parecia uma turbina dentro do meu quarto. Fiquei apavorada a madrugada inteira”, disse a dona de casa Olívia Ramos da Silva, de 48 anos, moradora do Leonor.

Outro lado

A Petrobras esclareceu no final da tarde de ontem que não houve ocorrência operacional na Refinaria de Paulínia (Replan). Explicou que a liberação de gases para o sistema de tochas por causa de manutenção em equipamento da unidade já havia sido concluída. Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da refinaria, todas as medições de ruído ficaram dentro dos parâmetros legais estabelecidos. “A refinaria segue operando de acordo com os princípios de segurança, meio ambiente e saúde que norteiam as ações da companhia”, finalizou o texto.