Publicado 01 de Março de 2015 - 5h30

A Companhia de Habitação Popular de Campinas (Cohab-Campinas) começa a partir de amanhã o recadastramento de todas as pessoas inscritas para programas da casa própria. Segundo os últimos dados disponibilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), passa de 40 mil o deficit de moradias em Campinas. Mas, segundo os técnicos da companhia, o número de famílias que aguardam as chaves é bem menor. E o fenômeno tem uma explicação simples. Sob o mesmo teto, diversos parentes se inscreveram, na esperança de que a família tivesse mais chances nos sorteios.

Pela política vigente, os programas habitacionais atendem prioritariamente pessoas que vivem em áreas de risco. Metade das habitações beneficiam o grupo. A outra parte é destinada, por sorteio, às pessoas inscritas no Cadastro de Interessados em Moradia (CIM). Por esta razão, o mesmo cidadão pode permanecer décadas na espera, sem ser contemplado.

A decisão pelo recadastramento partiu da secretária municipal de Habitação, Ana Maria Minniti Amoroso, que também responde pela presidência da Cohab-Campinas. Com as novas inscrições, a equipe vai cruzar as informações e identificar as famílias com registros duplicados. “A partir de amanhã um grupo de 600 cadastrados notificados vai se apresentar diariamete na sede da companhia para o recadastramento, em horários pré-determinados, para que não haja qualquer tumulto ou aglomeração”, afirma a secretária.

Com o cadastro atualizado, a distribuição das moradias será mais rápida e mais justa. Hoje em dia, afinal, pessoas beneficiadas nos sorteio não são, necessariamente, as que mais precisam da casa, ou as que esperam há mais tempo pelas chaves. A Cohab-Campinas, para se ter uma ideia, tem 60 mil CPFs cadastrados, e quase metade deles não fez renovação de inscrição nos últimos cinco anos. Muita gente já desistiu, ou conseguiu moradoria sem esperar por planos habitacionais populares.

Novas estratégias

A lista renovada de inscrições se adequa às novas estratégias do governo municipal para o setor. Além de manter as parcerias históricas com o poder público, se planeja empreendimentos em glebas que pertencem a empresas ou cooperativas privadas, formadas por futuros moradores. A nova política habitacional também vai abrir espaço para famílias com renda mensal superior ao limite estabelecido, por exemplo, para enquadramento no Minha Casa, Minha Vida (MCMV) — atualmente o principal programa público do segmento. Os acordos privados permitirão planos de quitação com valores e cronogramas diferenciados. A grande vantagem do comprador é ter os serviços especializados de uma empresa que planeja, constrói e organiza condomínios com preços acessíveis.