Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

O São Paulo vai se classificar com facilidade para as quartas de final do Paulistão e no momento está na zona de classificação para as oitavas de final da Libertadores.

Em 2015, ganhou 10 jogos, empatou dois e perdeu três. Marcou 29 gols e sofreu 10. Olhando só para os números, não há motivos para preocupação no Morumbi. Números que foram utilizados por Ganso para minimizar os efeitos da derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. “O São Paulo está bem nas duas competições. O importante é o que virá pela frente”, disse o meia, ainda no Allianz Parque.

Os números realmente indicam duas boas campanhas, mas uma análise mais profunda sinaliza que será muito difícil para o Tricolor se dar bem quando chegar a hora de enfrentar o que virá pela frente.

As três derrotas foram em clássicos contra Corinthians (2 x 0 pela Libertadores), Corinthians (1 x 0 pelo Paulistão) e Palmeiras (3 x 0 pelo Paulistão). No outro clássico que já disputou em 2015, o time empatou com o Santos por 0 a 0.

Portanto, se chegar “lá na frente” no Paulistão, o São Paulo terá que enfrentar times nos quais ainda não conseguiu sequer marcar um gol. Na verdade, mal conseguiu finalizar contra eles.

Para chegar “lá na frente”na Libertadores, o Tricolor terá que evoluir muito. Se jogar o que tem mostrado até aqui contra San Lorenzo e Corinthians, correrá o sério risco de ser eliminado na primeira fase.

O problema do São Paulo não é o que o time vai apresentar lá na frente. O problema começou lá atrás. Durante muito tempo o São Paulo esteve entre os clubes mais profissionais e organizados do País. Foi por isso que conseguiu, entre 2006 e 2008, o espetacular e até hoje inédito tricampeonato brasileiro.

O sucesso trouxe acomodação ao clube e já escrevi sobre isso há alguns anos. O São Paulo cometeu o grave erro de acreditar que seguiria soberano por muito tempo sem ter que se esforçar para isso.

O time não está mal só agora. Depois de 2008, ganhou apenas um título (a Sul-Americana de 2012) e vem acumulando fracassos nos confrontos diretos com os rivais.

Para complicar esse cenário, elegeu Carlos Miguel Aidar, dirigente de uma época em que futebol era totalmente diferente. Seu discurso é em parte moderníssimo, mas as atitudes são arcaicas e desastrosas.

Aidar está fazendo o outrora soberano São Paulo regredir. E esse retrocesso começa a ficar mais claro com atuações ridículas como a de quarta-feira.

O São Paulo ainda é muito forte contra os médios e pequenos, mas está ficando para trás quando tem que conversar com times do seu tamanho.