Publicado 27 de Março de 2015 - 5h30

Nem a principal pedra no sapato da Seleção Brasileira nos últimos tempos, no traumático palco de Saint-Denis, foi capaz de acabar com o grande momento do time do técnico Dunga. Ontem, no primeiro amistoso de 2015, o Brasil derrotou a França de virada por 3 a 1, no Stade de France, e manteve a invencibilidade nesta volta do treinador, com sete vitórias em sete partidas.

O jogo foi repleto de elementos que lembravam aquela dolorosa decisão da Copa de 1998, quando a Seleção caiu por 3 a 0 diante dos franceses. O palco foi o mesmo. No banco estavam os capitães de seus times naquela partida — Dunga, pelo Brasil, e Deschamps, pela França. Mas dessa vez a história foi diferente. Após um início fraco, os brasileiros mostraram novamente um futebol seguro, principalmente no 2 tempo, para chegarem ao triunfo.

Agora, a equipe vai se preparar para o amistoso diante do Chile, domingo, em Londres, às 11h, mais um na preparação para a Copa América, que acontecerá justamente em solo chileno a partir de junho.

As memórias da traumática derrota de 1998 começaram antes da partida, quando os ex-jogadores Marcel Desailly, Patrick Vieira, Zinedine Zidane e Thierry Henry, todos campeões daquela Copa do Mundo, foram homenageados no gramado do Stade de France

O início de jogo foi dos donos da casa, que chegaram pela primeira vez aos 7’. Após escanteio da esquerda, Varane disputou com Miranda e a sobra ficou com Benzema. Na pequena área, o atacante finalizou de cabeça, mas Jefferson voou para espalmar. O primeiro ataque brasileiro aconteceu somente aos 10’, quando Neymar acionou Roberto Firmino, que demorou muito para bater e acertou a zaga.

O jogo era muito estudado. As duas equipes se movimentavam pouco e, por isso, praticamente não criavam. Aos 19’, em raro lance de inspiração, Oscar tocou para Neymar, que invadiu a área pela esquerda e bateu cruzado. Mandanda espalmou e Elias chegou um pouco atrasado.

A resposta da seleção da França aconteceu no minuto seguinte e foi fatal. No mesmo gol que Zidane marcou duas vezes de cabeça na final de 1998, Varane abriu o placar da mesma forma. O lance, aliás, foi muito parecido com o primeiro gol do meia naquela decisão. Após escanteio cobrado da esquerda, o zagueiro do Real Madrid ganhou na velocidade, subiu sozinho e cabeceou no canto esquerdo de Jefferson, que desta vez nada pôde fazer.

O Brasil tentava responder, mas, tímido, pouco incomodava. Roberto Firmino tentou de longe, mas parou em Mandada. Quando a França parecia controlar a partida, no entanto, saiu o empate. Aos 39’, Oscar recebeu pela esquerda e tabelou com Firmino. Mesmo pressionado por Sagna, o meia conseguiu tocar de bico, de esquerda, por baixo de Mandanda, que foi mal para a bola e aceitou.

Animado pelo gol, o time brasileiro voltou superior para o segundo tempo e assustou logo aos 4’ com Luiz Gustavo, que exigiu boa defesa de Mandanda. Mas, aos 10’, o goleiro não conseguiu impedir a virada. Elias deu bom passe para Willian, que arrancou e rolou para Neymar. O atacante dominou com estilo e encheu o pé de esquerda.

A reação da França foi imediata e os donos da casa impuseram uma breve pressão. Explorando as costas de Danilo, tiveram bons momentos com Benzema, Sissoko e Griezmann, mas Jefferson e a falta de pontaria dos franceses impediram o empate

Quando o Brasil foi ao ataque, selou a vitória. Depois de rápido contra-ataque, que acabou com linda defesa de Mandanda em chute de Oscar, Luiz Gustavo marcou. Ele aproveitou escanteio batido da direita por Neymar e cabeceou firme, para o chão, tirando do alcance do goleiro adversário, aos 23’.

O gol, dessa vez, teve efeito avassalador no time francês, que desanimou e parou de atacar. O Brasil, por sua vez, tomou conta da posse de bola e era quem mais assustava. Willian e Neymar tiveram ótimas oportunidades, mas finalizaram mal. Fekir ainda levou perigo aos 40’, quando chutou rente à trave de Jefferson na última chance da partida. (Da Agência Estado)

Treinador fará mudanças na partida diante do Chile

No embate contra Didier Deschamps, técnico da França, Dunga levou a melhor e chegou ao sétimo jogo consecutivo com vitória, uma campanha de 100% desde o seu retorno à Seleção Brasileira. Mas, sem entusiasmo, vê os objetivos ainda distantes. No próximo amistoso contra o Chile, domingo, o técnico prepara uma equipe modificada para poupar os atletas e dar oportunidades a quem busca um lugar de titular.

Em entrevista depois da vitória por 3 a 1, Dunga estava sereno. Frisou em vários momentos não ter encarado o choque como uma revanche em relação ao 3 a 0 da final da Copa de 1998, mas sim como um desafio por enfrentar uma equipe forte. "Não vejo como uma revanche, mas é sempre positivo ganhar de uma seleção forte como a da França", afirmou.

Para o jogo contra o Chile, as mudanças levarão em conta o desgaste dos atletas, assim como a necessidade de dar oportunidades aos reservas. "Vamos ver quais jogadores estão mais ou menos desgastados. Mas não podemos trocar todos. Vamos manter uma base", garantiu.

Na saída dos vestiários, os jogadores da Seleção se mostraram satisfeitos. Neymar evitou comparar o momento atual com o vivido em 1998. Para o astro, o mais importante no jogo foi a atuação convincente. "É um estádio histórico, vencer dentro da casa deles é especial", reconheceu. Roberto Firmino viu sua primeira atuação como titular com bons olhos, mas acha que tem muito a evoluir para garantir um lugar no grupo. "Foi boa a estreia pela vitória, pela dedicação da equipe. Eu estava preparado para o que viesse. Mas dá pra melhorar bastante ainda." (AE)

FRANÇA

Mandanda; Sagna, Varane, Sakho e Evra; Schneiderlin, Sissoko (Kondogbia) e Matuidi (Giroud); Valbuena (Payet), Griezmann (Fekir) e Benzema. Técnico: Didier Deschamps.

Chilenos poupam titulares, fazem feio e perdem para o Irã

Com uma equipe praticamente reserva, o Chile fez feio ontem. O próximo rival da Seleção Brasileira jogou amistoso em St. Polten, na Áustria, e perdeu por 2 a 0 para o Irã. Como atenuante, o fato de o principal jogador do elenco chileno, o meia Arturo Vidal, da Juventus, não ter entrado em campo. Pensando na partida de domingo contra o Brasil, o técnico argentino Jorge Sampaoli poupou, além de Sánchez, Aránguiz, Isla, Pizarro, Medel, Mena e Vidal. Nekounam abriu o placar no 1 tempo e Amiri fez o segundo na etapa final. Desde a eliminação para o Brasil nas oitavas de final da Copa do Mundo, o Chile vem alternando bons e maus momentos. Ganhou de Estados Unidos, Peru e Venezuela, mas perdeu do Uruguai, empatou com Bolívia e México e sofreu para passar pelo Haiti. Se vive péssima fase no Manchester United, o atacante Falcao García (foto) mostrou ontem um pouco do futebol de seus melhores dias com a camisa da Colômbia. Ele marcou duas vezes e ajudou a sua seleção a golear o Bahrein por 6 a 0, em Riffa, no país asiático. Reserva no Manchester United, Falcao Garcia vive péssima fase. Já a Costa do Marfim venceu Angola por 2 a 0, mesmo placar da vitória do Egito em cima da Guiné Equatorial. (AE)