Publicado 26 de Março de 2015 - 5h30

Dunga não participou do 7 a 1 na última Copa do Mundo, mas, além de ser o capitão do tetra, foi um dos protagonistas de duas derrotas que marcaram a história do futebol brasileiro: a eliminação diante da Argentina, em 1990, e a derrota por 3 a 0 na final do Mundial de 1998, contra a França. É para enfrentar o mesmo adversário que a equipe volta a campo hoje, às 17h, no Stade de France, em Paris, no primeiro amistoso de 2015. Para o técnico, é uma oportunidade para, mais uma vez, começar a dar a volta por cima.

Dunga parece determinado a mostrar aos jogadores que estão em Paris que integrar a Seleção é um constante exercício de duras quedas, sucedidas de vitórias gloriosas. O técnico mencionou esses altos e baixos em sua entrevista coletiva ontem. Para Dunga, a derrota de 1990, que recaiu sobre seus ombros, foi a mais dolorosa, mas acabaria compensada pelo tetra, em 1994. Já o 3 a 0 contra a França em 1998 precederia o penta, em 2002.

Seguindo a lógica, a derrota de 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo do Brasil, em 2014, pode ser o embrião de uma nova volta por cima, desta vez na Rússia, em 2018. "Ser campeão do mundo é difícil, é para poucos. A França teve grandes jogadores, mas só ganhou uma vez", lembrou, rasgando elogios ao time francês que tinha ídolos como Zidane e Deschamps, hoje treinador.

Para Dunga, é preciso três elementos para retomar o caminho das vitórias: pensar como vencedor, agir com atitude e realizar o que foi imaginado. "No papel, tudo dá certo. Mas é dentro do campo que temos de ser bons", reiterou. Não é por acaso a escolha dos auxiliares "pontuais" eleitos por Dunga para palestrar aos jogadores. Ontem foi a vez de Jairzinho, testemunha do fracasso de 1966 e um dos heróis de 1970, falar aos jogadores. "Temos de aprender com as derrotas para ganhar. Poucas vezes temos duas chances. Quando temos, temos de aproveitar".

Em meio a essa atmosfera cheia de lições esportivas, Dunga optou por um mistério na escalação do time a respeito de Roberto Firmino. Questionado sobre se o atacante do Hoffenheim seria o seu escolhido, já que havia recebido o colete de titular no treino de terça-feira, o técnico desconversou. "Nós não confirmamos nada. O colete é uma mera distribuição de posições."

Para Dunga, mesmo que cada amistoso seja essencial para definir a lista dos jogadores que integrarão o grupo para a Copa América, no Chile, a base da seleção está formada. "Nós queremos uma equipe moderna, que seja compacta, que tenha agressividade, mas sem perder a essência da escola do futebol brasileiro, que é o drible, a criatividade do nosso jogador."

Se do lado brasileiro a Seleção ainda lambe as feridas, no lado francês Didier Deschamps foi só elogios à tradição da amarelinha. "O Brasil sai de uma Copa que não podemos chamar de fracasso, por mais que tenha jogado em casa. Eles chegaram às semifinais e nós paramos nas quartas. O placar pode ter sido traumatizante, mas eles mudaram bastante desde então", frisou. (Da Agência Estado)

FRANÇA

Mandanda; Sagna, Varane, Sakho e Evra; Sissoko, Schneiderlin, Matuidi e Valbuena; Benzema e Griezmann. Técnico: Didier Deschmaps.

Firmino mostra atitude e despista sobre escalação

Roberto Firmino é tímido e calmo, mas não será por falta de atitude que deixará passar a oportunidade de assumir uma vaga no ataque da Seleção Brasileira, ao lado do astro Neymar. Aos 23 anos, o meia-atacante alagoano, destaque do alemão Hoffenheim, deve fazer hoje a sua primeira partida como titular, aproveitando-se da brecha aberta pela lesão de Diego Tardelli. "É um sonho de criança", reconheceu.

Firmino foi um dos três atletas escolhidos pela CBF para falar aos jornalistas ontem, antes do último treino pré-jogo. Bombardeado com perguntas sobre a sua titularidade no treino de terça-feira, quando atuou ao lado de Neymar, o meia-atacante se esquivou de confirmar a sua vaga. Segundo ele, Dunga ainda não lhe havia informado se jogaria ou não. "Ele ainda não falou comigo", assegurou.

Sobre as razões pelas quais foi escolhido e sobre o que pretende fazer em campo, Roberto Firmino foi breve. "O Dunga me observa e acho que espera muita movimentação, como eu faço no Hoffenheim. É como vou procurar jogar", disse o atacante, quase confirmando a sua titularidade. "Imagino que fique à frente do Neymar em campo", observou.

Filho de um torcedor do Fluminense, mas fã do Corinthians, Roberto Firmino se mostra bem adaptado à Europa. Cogitado pelo Manchester United, da Inglaterra, o jovem foge de questões sobre voltar ao Brasil e eventualmente defender o seu time de infância. "Eu sou Corinthians. Desde pequeno gosto do clube, mas só penso aqui no meu momento", confessou o jogador, que se destacou no Figueirense antes de ir para a Europa. "Não planejo retorno ao Brasil ou jogar por lá. Estou feliz aqui na Europa". Com personalidade, Roberto Firmino reconhece que sua temporada atual não é das melhores. Na anterior, foram 16 gols, contra seis agora, o que não lhe preocupa. "A gasolina está no copo. Só falta o fogo."(AE)

Equipe francesa elogia a recuperação dos brasileiros

Didier Deschamps, técnico da França, respeita o seu adversário no amistoso de hoje no Stade de France. "O Brasil ainda é uma seleção formidável apesar do trauma que passou na Copa do Mundo em casa", disse, referindo-se aos 7 a 1 que o País levou da Alemanha na semifinal. "Eles estão se recuperando de uma Copa que não foi bem-sucedida, apesar do trauma que passaram", declarou Deschamps. "Vi o que eles têm feito desde então e vi muitas coisas boas".

Karim Benzema, atacante da França, acrescentou que o Brasil é um grande time em qualquer situação. "Não há favorito neste jogo", disse o jogador do Real Madrid. "Depois da Copa, o Brasil se recuperou. Eles vêm fazendo gols à vontade e não tomaram muitos". A França, invicta desde que perdeu para os alemães nas quartas de final da Copa, irá torcer para manter a sequência de vitórias depois de derrotar Espanha, Portugal e Suécia. "Temos feito bons jogos e mostramos que conseguimos sofrer e vencer. Será um jogo duro", afirmou Benzema. (AE)