Publicado 26 de Março de 2015 - 6h56

Por Maria Teresa Costa

Represa Jaguari-Jacareí do Sistema Cantareira, que começou a elevar seu volume neste mês, mas continua com níveis baixos para o período

Luis Moura/ AE

Represa Jaguari-Jacareí do Sistema Cantareira, que começou a elevar seu volume neste mês, mas continua com níveis baixos para o período

A Agência Nacional de Águas (ANA) quer reduzir de 2 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 0,5m3/s a descarga do Sistema Cantareira para a região de Campinas na primeira quinzena de abril e de 13,5m3/s para 11m3/s as transferências do sistema para a Grande São Paulo. A medida visa evitar reduções dos volumes de água disponíveis nos reservatórios para poder chegar ao início da estiagem em situação menos caótica do que a que está sendo prevista.

 

O Departamento de Água e Energia Elétrica (Daee) estima que a estiagem chegará sem que o volume morto das represas tenha sido recomposto, faltando ainda 65 bilhões de litros para atingir o zero do volume útil. Hoje, o sistema opera com um

volume 60% abaixo do que estava no mesmo período de 2014.

 

Quadro ideal

 

Se o volume de chuvas se mantiver, a região de Campinas terá condições de sobreviver com 0,5m3/s descarregados nos rios Jaguari e Atibaia — atualmente, embora autorizada a retirada de 2m3/s, na prática, a região tem recebido 0,45m3/s e conseguido se abastecer, graças à vazão dos afluentes. São Paulo tem retirado em março, em média, 9,2m3/s.

A ANA quer que o Daee defina uma metodologia de operação. Segundo o presidente da agência, Vicente Andreu, isso vem sendo reivindicado desde julho de 2014 para assegurar a necessária transparência do processo de tomada de decisão. A agência também quer a definição de metas futuras de armazenamento para o cenário de, pelo menos, até 30 de novembro e as propostas de vazões a serem retiradas pela Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) e para as Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) na primeira quinzena de abril.

 

Entrada

 

Até o dia 18 de março, segundo o Daee, a média de entrada de água nos reservatórios ficou em 35,8m3/s, enquanto a média transferida para São Paulo foi de 9,2m3/s e para o PCJ, de 0,45m3/s. Nesse período, houve um acréscimo de 40,7 bilhões de litros ao sistema.

Em janeiro, quando eram esperadas chuvas significativas que não vieram, houve uma redução do volume disponível de cerca de 19 bilhões de litros. Em fevereiro ocorreu a primeira reversão de tendência na redução mensal dos volumes do sistema desde o final do Verão de 2013, com o acréscimo de aproximadamente 57 bilhões de litros. Nos primeiros 18 dias de março, o acréscimo foi de 40 bilhões de litros.

 

De acordo com o Daee, apesar da imprevisibilidade da magnitude dos eventos, a perspectiva para a segunda quinzena de março é da continuidade da tendência de fevereiro e primeira quinzena de março, com vazões afluentes superiores às saídas total, proporcionando novos acréscimos de volume.

 

Previsão

 

O Daee já trabalha com a possibilidade de chegar ao início da estiagem, em 30 de abril, sem conseguir recompor o volume morto dos reservatórios do Sistema Cantareira, que começou a ser bombeado em maio do ano passado. Nas contas do departamento, faltarão 65 bilhões de litros de água para que as barragens recuperem o volume morto, cuja capacidade total prevista em projeto é de 485 bilhões de litros.

 

A ANA queria que os reservatórios fossem operados no período da chuva com restrições para que, quando a estiagem chegasse, o sistema pudesse operar com pelo menos 10% do volume útil. “Vamos entrar no período de seca contando apenas com o volume morto para garantir água para as regiões de Campinas e São Paulo, o que é crítico, porque teremos muita dificuldade de garantir a recomposição das reservas e um risco grande de enfrentarmos o próximo Verão de seca”, disse o especialista em recursos hídricos José Henrique de Oliveira.

 

O Daee analisou um cenário em que as afluências ao sistema, ou seja, o volume de água que entra no reservatórios, permaneçam em 60% das médias mensais da série histórica, que é de 59,5 metros cúbicos por segundo (m3/s) em março e de 43,3m3/s em abril, e as saídas (defluências totais) se mantenham na atual magnitude de 10m3/s. Partindo dos atuais 340 bilhões de litros, será possível atingir um total armazenado em torno de 420 bilhões ao final de abril.

 

O superintendente do Daee, Ricardo Borsari, informou em ofício à ANA que os Comitês das Bacias PCJ e a Sabesp vêm fazendo esforços para manter as retiradas do sistema equivalente em valores reduzidos e as condições climáticas têm ajudado na sua recuperação, mesmo que parcial. “No nosso entendimento, praticar retiradas de baixa magnitude, como vem ocorrendo, continua sendo a forma para administrarmos o Cantareira”, afirmou.

Escrito por:

Maria Teresa Costa