Publicado 25 de Março de 2015 - 5h00

Por Inaê Miranda

Escola atua há 10 anos no bairro e atende crianças com idades entre dois anos e meio a 6 anos, em tempo integral

Elcio Alves/ AAN

Escola atua há 10 anos no bairro e atende crianças com idades entre dois anos e meio a 6 anos, em tempo integral

Cerca de 620 alunos da Associação Douglas Andreani, no Jardim Monte Cristo, em Campinas, correm o risco de ficar sem aulas a partir de quarta-feira (25) por atraso no pagamento dos funcionários.

 

A entidade não recebeu o repasse de verbas da Prefeitura referente ao ano de 2015 porque está com uma Certidão Negativa de Débito Federal pendente.

 

Além do atraso no pagamento dos funcionários, a Associação não tem conseguido arcar com o restante das despesas - como água, luz e gás - e recorreu aos pais, pedindo uma colaboração de R$ 20 por mês. Sem conseguir firmar parcerias, a entidade fala até em fechar as portas definitivamente.

A escola atua há 10 anos no bairro e atende crianças dos bairros como Monte Cristo, Oziel, Jardim Fernanda, com idades entre dois anos e meio a 6 anos, em tempo integral.

 

A creche mantém um convênio com a Secretaria Municipal de Educação, que paga parte das despesas da escola: salários de funcionários, impostos sobre a folha de pagamento, material pedagógico e material para limpeza.

 

O repasse do município para este ano de 2015 será de 2,8 milhões. Fica sob a responsabilidade da instituição arcar com despesas de água, luz, telefone e gás de cozinha, utilizado para preparo da alimentação dos alunos, além de manutenção predial. Gasto mensal de aproximadamente R$ 10 mil.

Desde o final do ano passado, a escola acumulava dívida alta. Uma das dívidas impedia a emissão pela Receita Federal da Certidão Negativa de Débito do INSS. A dívida foi quitada, mas o documento ainda não foi emitido. Sem ele, a Secretaria de Educação não pode liberar o recurso e os funcionários estão com os salários de fevereiro e benefícios referentes a fevereiro e março atrasados.

 

 

"Tenho tentado contato com a Receita todos os dias, mas só hoje (ontem), porque falamos da ameaça de suspensão das atividades, tive acesso a um funcionário que informou que vai resolver o nosso problema amanhã (quarta-feira)" , afirmou a assistente administrativa Viviane Krepk.

Sem uma resposta concreta, os funcionários decidiram que não iriam trabalhar a partir de hoje, até que os salários e benefícios fossem pagos. Na saída da escola, os pais começaram a ser comunicados.

 

"Os funcionários ameaçam não trabalhar enquanto não houver acerto dos salários e se a Instituição não conseguir parceria ou com empresa ou com alguém disposto a ajudar. O que me preocupa é que se não conseguirmos atender as crianças, serão 620 alunos sem aulas", afirmou.

 

Atualmente, além da Prefeitura, a entidade não conta com parceria e busca apoio. Além de grandes empresas, políticos a entidade já recorreu à associações, como a Associação dos Camelôs.

Enquanto não consegue um parceiro, as despesas mensais de aproximadamente R$ 10 mil, tem sido pagas pelo presidente da entidade e pelos pais, que colaboram com R$ 20.

 

"Hoje os nossos parceiros são pais dos alunos. Alguns colaboram. A gente não pode cobrar mensalidade porque o atendimento é público. O que recebemos esse mês foram R$ 2 mil dos pais. A gente reconhece a dificuldade da comunidade. Sabemos que não são todos que podem ajudar. Mas os próprios os pais para não deixar fechar a escola assumiram esse compromisso de doação voluntária", afirmou.

A escola também vê como saída a autorização da Prefeitura para uso da verba repassada pelo município para quitação dos demais débitos.

 

"A verba que ela repassa seria mais que suficiente para a gente manter a escola, mas não podemos usar para outros fins que não o pagamento de professores, compra de material pedagógico e de limpeza. A escola fala que o problema não é dela, mas, se a escola parar, os 620 alunos serão", acrescentou Viviane.

A Secretaria de Educação de Campinas informou que assim que a documentação da Associação for regularizada junto à receita federal, a Prefeitura tem até 5 dias para fazer o repasse da verba, retroativo ao dia 1º de fevereiro, quando teve início a vigência do novo convênio de 2015.

 

Sobre o uso do convênio para pagamento de outras despesas, a Pasta informou que não é possível já que no convênio firmado está claro que a verba repassada à instituição é destinada ao pagamento de despesas pedagógicas e de funcionários.

Os pais temem pelo fechamento da escola. "Com tanto problema de falta de vaga em creche, a gente fica preocupado dessa daqui fechar" , afirmou o operador de produção César Sena.

 

"O pagamento de R$ 20 não é um problema, mas sim fechar a escola que atende muito bem os nossos filhos e está passando por essa dificuldade toda" , disse a monitora escolar Suelen Cristina dos Santos.

Escrito por:

Inaê Miranda