Publicado 24 de Março de 2015 - 5h00

Por Carlo Carcani

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O futebol brasileiro precisa com urgência de um novo sistema de gerenciamento, no qual os clubes sejam obrigados a se comportar como qualquer outra empresa. Um levantamento da Procuradoria Geral da Fazenda mostra que 103 clubes de futebol devem R$ 2,3 bilhões à União. É muito dinheiro e é dinheiro público.

 

Para crescer, o futebol não pode ser gerenciado de forma tão inconsequente. E o Governo, claro, não pode abrir mão de tanto dinheiro como se clubes fossem entidades beneficentes. Não são. Fazem parte de um negócio milionário, que movimenta milhões de reais todos os meses. Devem recolher impostos como qualquer empresa.

A presidente Dilma assinou na quinta-feira ((19) uma Medida Provisória que dita regras para o parcelamento dessa dívida, que, convenhamos, não pode ser mais ignorada.

Para que tenham direito ao refinanciamento com descontos e prazos estendidos a até 20 anos, os clubes precisam acatar algumas regras. Uma delas determina que os times só disputem campeonatos organizados por entidades que tenham em seu estatuto mandato de até quatro anos para seu presidente e direito a apenas uma reeleição.

Isso exige que a CBF e as federações deixem de ter presidentes por muitos e muitos e muitos anos, como acontece desde sempre. João Havelange ficou no poder de 1958 a 1975. Seu ex-genro, Ricardo Teixeira, mandou no futebol brasileiro de 1989 a 2012.

É assim que funciona e, por motivos óbvios, os cartolas que se beneficiam desse sistema não querem saber de mudanças. É o caso de Delfim Peixoto, presidente da federação de Santa Catarina há 30 anos. Eleito vice-presidente da CBF para o mandato que começa no mês que vem, ele não teve o menor pudor ao desdenhar da proposta. E ainda peitou a presidente Dilma.

"Eu só posso rir. É uma intervenção. Não pode. Pediu o parcelamento, tem de pagar, só isso. Mas não é por causa disso que tem de se submeter a vontades do governo. A Dilma quer fazer média no futebol. Ela está por baixo. Ela que cuide dos escândalos do governo dela. Ela que cuide da roubalheira dos tempos de Lula, do tempo dela. Ela tinha que se preocupar com isso”, disse Peixoto em entrevista à ESPN.

Além de expor o momento de terrível fragilidade de Dilma, a postura do futuro vice-presidente da CBF deixa bem claro que, se quiser melhorar o futebol e cumprir a obrigação de arrecadar R$ 2,3 bilhões sonegados, o Governo terá que se impor diante de uma turma que não está acostumada a seguir regras.

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Carlo Carcani