Publicado 23 de Março de 2015 - 5h00

Milene Moreto

Cedoc/RAC

Milene Moreto

Desde sua fundação, o PMDB apostou no fortalecimento de suas bases e na consolidação das suas lideranças. O trabalho é feito de cidade em cidade, de estado em estado e, se sente que está perdendo força em uma determinada região, rapidamente se realinha, como aconteceu em Campinas. Esse pensamento fez do PMDB o maior partido do Brasil e deu a ele a força para “peitar” qualquer governo ou ação quando for do seu interesse. Sem o PMDB hoje, não se governa o País.

O erro

Para o professor de ética da Unicamp, Roberto Romano, o erro dos petistas e dos tucanos foi ignorar esse fortalecimento das bases e apostar em alianças para sustentar seus projetos de poder, o que deixou, portanto, o PMDB como fiel da balança. Para Romano, os peemedebistas no papel de oposição atualmente são muito mais poderosos e organizados. Os exemplos estão nas ações dos presidentes do partido na Câmara e no Senado contra o governo Dilma.

Frase

Os tucanos e os petistas permaneceram como partidos médios. Não se expandiram pelos municípios. Descansaram nas alianças. (Do professor de ética da Unicamp, Roberto Romano, ao comentar a força do PMDB frente aos demais partidos).

A solução

Para diminuir o poder do PMDB seria necessário ter bases regionais e municipais equivalentes as que eles têm. Segundo Romano, os tucanos tiveram oito anos e o PT 12 anos para organizar suas bases e ficaram acomodados. “Tanto o PT e o PSDB se tornaram partidos de cúpula. Eles não escutam as bases”, afirmou o professor.

O pagamento

O ex-diretor do Departamento de Pavimentação (Depav) da Secretaria de Obras da Prefeitura de Paulínia, Flávio Xavier (PSDC), assumiu como suplente uma vaga na Câmara e, seu primeiro ato, foi cobrar o pagamento das verbas rescisórias dele e dos outros funcionários que ocuparam cargos de confiança no governo do prefeito cassado Edson Moura Junior (PMDB).

A briga

No dia 4 de fevereiro, Moura Junior foi cassado pela Justiça Eleitoral e, no dia 9, Xavier e os demais ocupantes de cargos de confiança no governo foram exonerados, como sempre acontece quando há troca de prefeito. Os que ocupavam os cargos em comissão têm direito a férias (vencidas e proporcionais) e décimo terceiro proporcional. Acontece que Pavan disse que não vai pagar nesse momento porque o governo tem outras prioridades.

Vamos conversar

O secretário de Relações Institucionais e presidente do PSB em Campinas, Wanderley Almeida, disse que não foi procurado pelo coordenador do Sindicato dos Servidores de Campinas, Jadirson Tadeu Cohen, para tratar da sua permanência na legenda. Tadeu afirmou anteriormente que passa por um momento difícil dentro da sigla e que estuda sua desfiliação.

Respeito e diferença

Wandão afirmou que respeita o posicionamento do Tadeu como dirigente sindical, de ser contrário à proposta das organizações sociais, mas que as decisões do governo estão à parte disso. Os dois se encontraram na última sexta-feira, mas acabaram apenas se cumprimentando. Tadeu e Wandão são amigos de longa data.

Código de obras

A Câmara de Campinas fará uma audiência pública na próxima quinta-feira para debater o projeto do Executivo que pretende revogar uma modificação feita no Código de Obras em 2013. A medida, segundo o presidente da Comissão de Constituição e Legalidade, Thiago Ferrari (PTB), vai desburocratizar a construção de obras públicas. Atualmente, projetos dos governos estadual e federal, por exemplo, precisam seguir uma série de trâmites para ter as licenças. Com a revogação, a estimativa é de que as construções fiquem mais rápidas.