Publicado 23 de Março de 2015 - 5h00

Por Antônio Contente

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As magias de certos instantes as pessoas podem construir individualmente, como, por exemplo, nas coisas d’amor; mas podem, também, ser construídas coletivamente, o que arrisca a levar até ao heroísmo. O movimento de massas que tivemos no dia 15 último, neste País, fez de cada um dos participantes das passeatas que encheram as ruas de inúmeras cidades, personagens de instantes que resgataram a dignidade do povo brasileiro. Massacrado, nos últimos doze anos, por um governo, para dizer o mínimo, incompetente e desonesto. Cada um de nós, desde os mais de um milhão d’almas que ocuparam a Avenida Paulista até as 30 mil que se movimentaram entre o Largo do Rosário e o Centro de Convivência, fomos ungidos pela lucidez que poderá levar à chegada de novos tempos.

Vivemos, no maravilhoso domingo dia 15 de março de 2015, uma festa de cidadania que já está com lugar marcado em nossa História. E o interessante era perceber que nos rostos das pessoas que circulavam pelas calçadas dos protestos não se detectava tensão; sim o transbordar de esperanças.

Como meu grupo de amigos do Café Regina marcou encontro lá mesmo para, juntos, seguirmos em peregrinação do centro ao Cambuí, houve tempo de sobra para a percepção de que nas horas seguintes tudo, em Campinas, seria diferente. E pude constatar que isso de fato ocorreu. Pois me desligando da turma em certo instante pude verificar, em todos os lugares pelos quais passei, que havia nos olhos das pessoas lampejos daquela alegria que só se derrama sobre os corações em dias muito especiais.

Ao, por exemplo, entrar no Pão de Açúcar do Centro de Convivência o ar que se respirava era de descontração e encanto. Mesmo sem estar participando da passeata, era grande o número de homens, mulheres e até crianças que ostentavam vistosas camisas amarelas. Certamente os petistas vão se apressar em dizer que era a tal “zelite d’olhos azuis”. Bobagem; ou será que os que defendem esse governo que destruiu a Petrobras acham que, às elites, não deve ser dado o sagrado direito de protestar? Depois, contudo, se ficou sabendo, por testemunhos insuspeitos, que o já chamado de Dia da Cidadania também foi cultuado até nas periferias mais distantes; por onde circulavam, como peitos de bem-te-vis encharcados de esperanças, centenas de camisas amarelas.

Certamente a reconstrução deste País em frangalhos demorará anos. Segundo os mais céticos, toda uma geração. E o recado das ruas deu a indicação que os brasileiros clamam pela chegada das mãos que levantem os escombros resultado dos bombardeios da incompetência e da desonestidade. Sempre passa pela minha cabeça, ao constatar os tristes tempos que vivemos de 2003 para cá, a imagem do Brasil como uma gigantesca Dresden, na Alemanha, atingida, durante a Segunda Guerra, por centenas de toneladas de bombas altamente destrutivas. Hoje a outrora sofrida cidade alemã está totalmente reconstruída. Esse é o trabalho que cabe às futuras gerações de brasileiros decentes realizar. Se logo mais conseguirmos jogar Dilma, Lula e asseclas no lixo da história, que é o lugar que a eles cabe, já será um maravilhoso começo.

Depois da ronda por vários lugares, torno ao Café Regina para lá fechar as cortinas dos grandes momentos vividos. E onde, afinal, encontrei o melhor símbolo do alto significado do Dia da Cidadania. É que de repente chegou, para sentar à mesa do nosso grupo, o empresário Pedro Porto, frequentador diário do local. Só que veio acompanhado de dona Maria Inês, a esposa; que, por guardá-la no seu DNA, emite chispas de luminosa simpatia. Pelo que percebi, pisava no Café Regina pela primeira vez na vida, e o fez a envergar linda blusa amarela, pois acabara de participar dos grandes instantes de civismo. Marco a mais num dia que, ao fim e ao cabo, ficará para sempre na lembrança de todos nós. Que os deuses agora, com suas infinitas bondades, também ajudem no soerguimento do País que o PT destruiu.

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Antônio Contente