Publicado 02 de Março de 2015 - 12h34

Participação de público durante ato

Diivulgação

Participação de público durante ato

Cerca de dez integrantes de uma ONG receberam um auto de intimação da Serviço Técnicos Gerais (Setec), no último fim de semana, por ocuparem a Praça Bento Quirino, na região central de Campinas. O grupo que se chama “Minha Campinas” levou à praça algumas cadeiras de praia, estendeu no chão um jogo de amarelinha, e também montou em uma mesa com outros tipos de jogos e livros. Porém, foram ameaçados de terem os objetos apreendidos pela Setec caso não saíssem do local.

Os integrantes ficaram indignados com a atitude da autarquia. A ONG pertence a uma rede que já existe em São Paulo e no Rio de Janeiro e propõe discussões de como fazer para melhorar a vida nas cidades.

O fato aconteceu no sábado passado e gerou polêmica na internet, principalmente porque trata-se de um proposta para ocupar áreas públicas de Campinas. Além dos objetos colocados em uma pequena área da praça, o grupo amarrou um barbante, simulando um varal, onde prendiam as ideias de pessoas que se interessavam pela iniciativa.

“Ocupamos um espaço pequeno, não teve tumulto. Pelo contrário, ocupamos com atividades criativas e lúdicas um espaço que é público e deveria servir para isso. Não dá para entender o que a Setec fez”, explicou um dos integrantes da ONG, André Bordi. “Eles falaram que não poderíamos colocar cadeiras no local, depois reclamaram da mesa e depois do varal. Disseram que estávamos expondo produtos. Ficamos indignados porque não estávamos fazendo venda nenhuma, estava na cara que estávamos aproveitando uma área pública, e que deveria ser nosso direito”, reclamou.

Bordi, que também é professor da PUC-Campinas, disse que os fiscais ficaram por cerca de meia hora ameaçando recolher os “produtos” e resolveram fazer o auto de infração. “Eles caíam a todo momento em contradição. Cada hora implicavam com algo diferente, mas não tinha fundamentação em nada. Após eles saírem ficamos por mais uma hora, que foi o tempo proposto para a ocupação. Agora só falta ter que pedir permissão para tudo na área central”, desabafou o professor.

Apesar da abordagem, os integrantes do grupo afirmaram que pretendem fazer outras abordagens na cidade. “Nossa proposta é tornar a vivência na cidade mais sadia, com pessoas mais participativas do dia a dia da cidade”, esclareceu.

O diretor técnico operacional da Setec, Alexandre Polo do Vale, afirmou que a ação dos fiscais foi correta. “Todo e qualquer evento que ocorre em solo público precisa de autorização da Setec. As ONGs são instruídas a fazerem isso, e estão acostumadas. Acredito que faltou informação para esse grupo.”

Ele explicou que o auto de intimação é referente a distribuição de flyers. “Eles não podem distribuir panfletos sem avisarem o órgão. Há vários casos de panfletagem na área central que são flagrados e obrigados a pararem. Nosso trabalho é reduzir isso”, explicou o diretor.