Publicado 27 de Março de 2015 - 12h57

Por Delma Medeiros

Picasso e a Modernidade Espanhola - CCBB

Carlos Sousa Ramos/ AAN

Picasso e a Modernidade Espanhola - CCBB

Que o pintor espanhol Pablo Picasso fez uma revolução nas artes plásticas é incontestável. Ele mudou as linguagens e conceitos da arte, com um trabalho fecundo que influenciou muitos artistas de seu tempo. Parte dessa intensa produção pode ser apreciada na exposição Picasso e a Modernidade Espanhola, mostra inédita que traz ao Brasil 90 obras do artista andaluz e de outros grandes nomes do modernismo espanhol.

Foto: Carlos Sousa Ramos/ AAN

Mulher Apoiada sobre os Cotovelos, de Pablo Picasso

Mulher Apoiada sobre os Cotovelos, de Pablo Picasso

A exposição abriu esta semana no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (CCBB), onde permanece até 8 de junho. Em seguida segue para o CCBB Rio de Janeiro, onde fica de 24 de junho a 7 de setembro.

A mostra é resultado de uma parceria do CCBB e Fundação Mapfre com uma das mais destacadas instituições dedicadas à arte moderna, o Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofía, de Madri. Picasso e a Modernidade Espanhola, entre outros aspectos, vai apresentar ao público brasileiro diferentes abordagens sobre as contribuições do fundador do cubismo e de seus contemporâneos ao cenário internacional da arte. A curadoria é de Eugenio Carmona, professor de História da Arte da Universidade de Málaga, cidade-natal de Picasso.

 

Foto: Carlos Sousa Ramos/ AAN

Silhueta de um Homem Jovem, de Pablo Gargallo; Dom Quixote, de Julio González

Silhueta de um Homem Jovem, de Pablo Gargallo; Dom Quixote, de Julio González

A visitação começa pelo quarto andar, com obras expostas também no 2º e 3º andares, além do subsolo. No 1º andar, há iniciativas interativas, com recursos audiovisuais sobre uma das obras mais famosas de Picasso, Guernica, referência à cidade que foi devastada por um bombardeio nazista em 1937, durante a Guerra Civil Espanhola. São 90 obras, entre pinturas, desenhos e esculturas. Dessas, 45 são de Picasso e as demais de 36 importantes nomes da arte espanhola como Juan Miró, Salvador Dalí, Juan Gris, Oscar Domingues, Julio González, entre outros.

Segundo os organizadores, Picasso e os artistas espanhóis tiveram papel decisivo na criação e nas definições da arte moderna internacional, e esta exposição pretende propor um encontro com as singulares contribuições desses criadores, não de forma convencional, com rótulos ou “ismos”, mas a partir dos fundamentos estéticos que configuraram as experiências espanholas da modernidade. A mostra destaca a forma como Picasso concebeu a modernidade e como influenciou ou se relacionou com os principais criadores espanhóis da época. Apresenta também os diálogos, as interrelações e os desafios que se estabeleceram entre os pintores.

Os módulos

A exposição é dividida em oito módulos, que falam da relação do artista com a modernidade e, de forma transversal, apresenta obras que se completam. Em 'Picasso Variações', o primeiro módulo, o artista abandona a unidade de estilo e de linguagem como sistema de trabalho e utiliza a versatilidade e as variações iconográficas e linguísticas. De cara, o visitante se depara com duas das três telas criadas com o tema O Pintor e a Modelo, que trazem uma metáfora do processo de criação e um símbolo da inspiração que encontrava nas mulheres. Neste módulo se percebe a forte ligação do pintor com suas mulheres, por meio dos desenhos e de telas como 'Cabeça de Mulher', 'O Retrato de Dora Maar' e 'Mulher Sentada Apoiada sobre os Cotovelos'.

No terceiro andar, estão 'O Monstro e A Tragédia', dois dos módulos mais instigantes. 'O Monstro' traz desenhos com a figura do Minotauro, reconhecido como o alter-ego de Picasso, que por meio dele falou de si mesmo e da condição psíquica da arte e do artista na modernidade. Em um momento o artista mescla a saga do minotauro com as touradas. Em outro, condena o mítico animal a vagar cego, guiado por uma criança. Em 1936 eclode a Guerra Civil Espanhola e a elaboração do monstro pelo artista se entende para 'A Tragédia'.

Em 1937, o governo republicano havia encomendado a Picasso uma pintura de grandes dimensões para o pavilhão espanhol da Exposição Universal de Paris. O artista não sabia o que pintar até que em 26 de abril ocorre o bombardeio genocida de Guernica, e Picasso se inspira nele para criar uma das mais impactantes obras de arte de todos os tempos. Segundo o curador, na grande pintura que fez sobre o tema, o artista “desenvolveu uma constelação de relações”, dando especial atenção ao cavalo, representação simbólica do povo e que aparece unido à mulher que sofre pelo filho morto. Além da obra em si, para compô-la, Picasso fez uma série de desenhos e esboços, que podem ser vistos na mostra e são, por si só, dignos de uma exposição. Obras de grande sensibilidade, que retratam o sofrimento do povo com a devastação da cidade.

No segundo piso, mais três módulos: 'Ideia e Forma'; 'Lirismo - Signo e Superfície'; e 'Realidade e Suprarrealidade', em que as obras do andaluz dialogam com peças de outros mestres espanhóis. 'Ideia e Forma' reúne obras abstratas e figurativas, que vão do cubismo à arte concreta. 'Lirismo' retrata um momento em que os mestres espanhóis unem a arte moderna à intuição, ao instinto, à vontade de fazer com que a pintura e escultura provocassem sensações equivalentes às suscitadas pela poesia.

'Realidade e Suprarrealidade' mostra como as experiências da modernidade levaram ao chamado realismo mágico, em que a poética do real se volta ao surrealismo, que propôs um novo encontro com a realidade.

No subsolo, os dois últimos módulos. 'Natureza e Cultura' apresenta obras de Picasso e de outros artistas em que os personagens se transformam em algo similar a elementos da natureza, explorando as aparências e as relações entre minerais, vegetais, animais e humanos. O último módulo mostra como a arte espanhola caminhou 'Rumo a Outra Modernidade'.

Nesta, o circuito expositivo se encerra com a terceira versão de 'O Pintor e a Modelo', em que Picasso reflete sobre a pintura, enquanto Miró e os outros a expandem e abrem para novas concepções.

 

Agende-se

O quê: Picasso e a Modernidade Espanhola - Obras da coleção do Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía

Quando: Até 8/6, de quarta a segunda, das 9h às 21h

Onde: Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo (Rua Álvares Penteado, 112, esquina com Rua da Quitanda, Centro, São Paulo, fone: 11-3113-3651); agendamento para grupos pelo fone: 11-3113-3649

Quanto: Entrada franca

Escrito por:

Delma Medeiros