Publicado 26 de Março de 2015 - 5h00

Por Zeza Amaral

Colunista Zeza Amaral

Cedoc/RAC

Colunista Zeza Amaral

O PT não vai acabar. Pelo menos durante os próximos 15 anos, quando ainda os dirigentes dos fundos de pensão continuarão a gerir a grana dos servidores públicos federais, estaduais e municipais. A máquina pública já está dominada por eles. Bem me lembro quando a CUT tinha sob seu domínio, em 1984, cerca de 80% dos sindicatos dos trabalhadores, todos eles enviando dinheiro desviado para fortalecer o caixa da Central Única dos Trabalhadores.

 

A memória é um penico onde cabe todas as escatologias políticas. E a minha é uma profunda fossa onde todos eles depositavam suas excrecências políticas, um fraudar projetos sindicais para beneficiar alguns trabalhadores que, de resto, eram massas de manobras que acreditavam no socialismo petista. E eis aí o resultado: o petismo enriqueceu alguns poucos dirigentes da sigla e seguiu roubando o dinheiro do povo brasileiro, no mensalão e, agora, no petrolão.

 

Eles, os petistas safados, reclamam que as manifestações populares, sem nenhum vínculo partidário, são coisas de reacionários, de uma elite branca, racista e contra os pobres.

 

Volto a dizer que o petismo continua vivo e forte. Lula e Dilma podem dizer as maiores besteiras pelas quais responderão no tribunal da história. Mas é fato que o aparelhamento petista do Estado ocorreu nos fundos de pensão, que controlam centenas de bilhões de reais, dos quais são retirados milhões de reais para sustentar a campanha eleitoral petista, grana tão grossa que poderá ser atestada por uma dessas CPIs da vida.

 

Por mim, sinceramente, Dilma Rousseff continua presidente para arcar com as suas responsabilidades constitucionais, além de sua biografia que, é certo, bem melhor ficaria em alguma latrina da nossa história republicana. Tanto me faz se Michael Temer, o vice-presidente, assumir democraticamente o empichamento da líder petista, coisa que falo por falar, visto que também ele está empichado por si mesmo, mesmo porque é fruto da mesma soberba de poder de ocasião, um covarde partidarista. Que situação, hein!

 

Já ando sabatinado em minhas insônias para entender por que tantas safados ainda continuam dando as cartas políticas no País. São quase duas décadas de uma retomada democrática e os mesmos safados da ditadura militar ainda respiram no Congresso Nacional, opinando sobre democracia, fazendo proselitismo a respeito da soberania popular, dos nossos direitos, do nosso sempre trabalhar para manter com os nossos impostos os três pilares da nossa democracia, o Legislativo, o Judiciário e o Executivo.

 

E os jornais nos avisam que todos eles estão eivados de falcatruas inconstitucionais — e é certo que a maioria é aposentada em compulsão patriótica e curte uma vida plena de praia carioca e viagens toscanescas.

 

O Brasil de 15 de março avisou que a mamata está acabando. Acompanhei a entrevista do porta-voz Rogério Chequer, do Vem Pra Rua, no Roda Viva, e muito me acalmou a sua performance no dito programa. Foi severo e claro quanto aos propósitos do movimento popular que, de resto, a ele não pertence, e nem mesmo a nenhum partido, Ong, e, é claro, a algum sectarismo, seja de direita, centro ou de esquerda.

 

O PT está acabado como o dono das ruas brasileiras. Perdeu espaço no Congresso Nacional, mas, e isso é um fato, vai continuar durante anos dominando os fundos de pensões do Brasil, o segundo maior setor de investimentos depois da Petrobras, a empresa que agora cai de podre, assim como já caiu a moral de José Dirceu, Delúbio, Genoíno, Cunha, Pedro Barusco, Paulo Roberto Costa, Vaccari Neto e de tantos outros empresários que investiram no quanto mais roubar é melhor.

 

Cairá Dilma, Lula, toda a corja aliada e corrupta, e o petismo continuará a dominar o maior caixa do país: os fundos de pensão da Petrobras, Caixa Econômica, Banco do Brasil e Correios e Telégrafos. No momento, aliás, o Postalis, o fundo dos Correios, onde nasceu a primeira denúncia que levou ao Mensalão, está querendo transferir uma dívida de 5,6 bilhões de reais aos bolsos dos brasileiros. O Postalis é uma entidade privada, administrada por funcionários dos Correios, e sua diretoria petista quer que o Tesouro Nacional (o nosso bolso fiscal) assuma a dívida.

 

No momento, quem vai pagar a conta são os carteiros brasileiros, essa gente que anda com chapéu de aba larga e costas ainda maior, nos trazendo notícias de lá, como já disse Fernando Brant. E um pouco de poesia, nesse momento, também não faz mal.

 

Bom dia.

Escrito por:

Zeza Amaral