Publicado 23 de Março de 2015 - 5h00

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AAN

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Estamos passando por tempos difíceis na Saúde pública e privada. Hospitais, serviços de emergência, consultórios, enfim, tudo lotado. A queixa principal, não importa se adulto ou crianças, é febre, dor de cabeça e mal-estar geral. A primeira pergunta é óbvia:

- Não é dengue doutor?

 

- Sim, pode ser, estamos dentro de uma epidemia de dengue, mas pode não ser!

 

- Vamos fazer exame de sangue doutor?

 

- Sim, vamos fazer o exame de sangue, que mostrará como estão o número de plaquetas e os glóbulos brancos, enfim, esse exame fará uma triagem, não dará o diagnóstico definitivo.

 

- Então vamos fazer o exame específico da dengue!

 

- Infelizmente esse exame somente tem validade, para um diagnóstico definitivo, se colhido no 5° dia da doença febril, não no 1° dia de doença.

- Mas doutor, até lá já morri!

Este diálogo se repete centenas de vezes nos consultórios, dia a dia, os pacientes valorizam mais os exames laboratoriais que o exame clínico, vemos uma nítida inversão de valores.

Nessa época do ano temos sim o vírus da dengue circulando, mas com o fim do Verão e início do Outono começam a circular outros vírus, com destaque para os vírus respiratórios que dão como quadro clínico inicial: febre, dor de cabeça e mal-estar geral.

Acabaram as férias, as crianças voltaram às creches e escolas, facilitando a circulação de vírus via fecal ou oral, os chamados enterovírus, que tem como quadro clínico inicial: febre, dor de cabeça e mal-estar geral.

E o tradicional exame de sangue não consegue diferenciar qual tipo de vírus está acometendo o paciente, então o que fazer?

A orientação é a mesma para todos eles, não importa se vírus da dengue, do resfriado ou enterovírus, repouso, hidratação e antitérmicos. Não se utiliza antibióticos para vírus.

Todo dia atendo pacientes reclamando que ficaram duas a quatro horas esperando por uma consulta no pronto-socorro, para o médico no final dizer que é uma virose!

-Imagina doutor, depois de todo esse sacrifício, ele receitou somente o antitérmico que o senhor sempre receita.

Pois o médico do pronto-socorro esta absolutamente certo! Essa é a conduta.

- Mas e se for dengue?

A grande maioria dos casos de dengue tem evolução benigna, poucos necessitam internação, hidratação endovenosa e cuidados intensivos, essas complicações são mais frequentes em pacientes que já tem uma doença de base que debilita o organismo, deixando-o mais vulnerável às complicações.

 

Diante de um caso de febre, dor de cabeça e mal-estar geral em sua casa, em primeiro lugar use um antitérmico/analgésico que você já está acostumado a usar com exemplos: o paracetamol, a dipirona ou o ibuprofeno, podendo ser repetido a cada 4 horas.

 

Apesar da falta de evidências científicas que justifiquem a alternância de antitérmicos, essa prática está se tornando um hábito na clínica pediátrica.

 

Várias publicações alertam para o risco dessa prática, pais e cuidadores frequentemente erram dosagens na ânsia do controle da febre e aumentam o risco de intoxicações.

 

Não intercale antitérmico, se iniciou com um, mantenha-o a cada 4 horas. Ofereça líquidos a vontade, respeite a falta de apetite que é frequente nesses casos. Repouso, muito repouso, e observação. Nas próximas 24 horas deve-se observar a evolução do paciente, como está o estado geral? Piorando, gemente, “largado”, enfim, deteriorou o estado geral? Vá imediatamente ao serviço de emergência. Se estiver estável, mostrando disposição, mantenha a observação.

 

Nesses tempos difíceis o bom-senso, a calma e a ponderação são fundamentais para evitar uma situação estressante, que pode prejudicar ainda mais o estado geral do paciente.