Publicado 27 de Março de 2015 - 5h00

Por Pasquale Cipro Neto

raque, Israel, Palestina, Brasil... Como se já não bastasse a violência sem fim que se registra nesses e em outros países, temos agora o Estado Islâmico e suas demonstrações de pura selvageria. Uma das “modalidades” de violência é a exercida por homens e mulheres suicidas, que se transformam em bombas ambulantes.

 

A todo instante, registra-se a explosão aqui e ali de um homem ou mulher-bomba, de um carro-bomba etc. Por aqui, quase todos os dias caixas eletrônicos voam pelos ares e um carro-forte é atacado.

 

Pois bem: como fica o plural dessas palavras compostas? Quando se trata da flexão de número (singular/plural), todos esses compostos se enquadram no mesmo caso? As palavras compostas “carro-bomba” e “carro-forte” guardam entre si uma semelhança e uma distinção. A semelhança está em serem substantivos, já que dão nome a um ser; a diferença está na formação: substantivo + substantivo (“carro-bomba”); substantivo + adjetivo (“carro-forte”).

 

Vamos começar pelo plural dos substantivos compostos formados por substantivo + adjetivo (caso de “carro-forte”): flexionam-se os dois elementos. Sendo assim, o plural de “cavalo-marinho” é “cavalos-marinhos”, o de “guarda-noturno” é “guardas-noturnos”, o de “boia-fria” é “boias-frias”, o de “água-viva” é “águas-vivas”, e assim por diante.

 

O plural de “carro-forte” se enquadra no caso que acabamos de analisar porque “forte” aí é adjetivo (que se opõe a “fraco”), embora alguns possam imaginar que seja um substantivo (equivalente a “fortaleza”). Não é substantivo, não. É adjetivo mesmo. Para que não reste nenhuma dúvida: o plural de “carro-forte” é “carros-fortes”.

 

Vejamos agora os substantivos compostos formados por dois substantivos (caso em que se enquadra “carro-bomba”). De início, é preciso levar em conta o valor do segundo substantivo em relação ao primeiro.

 

Em “carro-bomba”, o elemento “bomba” limita o sentido de “carro”, já que indica ideia de finalidade. Esse tipo de veículo não é feito para levar pessoas à igreja ou ao teatro. É construído para fazer tudo ir pelos ares e virar poeira.

 

Quando se trata desse tipo de composto e também dos casos em que o segundo substantivo indica ideia de semelhança (o que se vê, por exemplo, em “peixe-boi” e em “saia-balão”), predomina, na tradição da língua, a opção pela flexão do primeiro elemento: “carros-bomba”, “homens-bomba”, “mulheres-bomba”, “homens-rã”, “peixes-boi”, “saias-balão”, “salários-família”, “navios-escola”, “bananas-maçã”, “carros-pipa” etc.

 

 

Modernamente, observa-se também a flexão dos dois elementos: “carros-bombas”, “homens-bombas”, “mulheres-bombas”.

Escrito por:

Pasquale Cipro Neto