Publicado 26 de Março de 2015 - 23h37

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

O São Paulo vai se classificar com facilidade para as quartas de final do Paulistão e, no momento, está na zona de classificação para as oitavas de final da Libertadores.

 

Em 2015, ganhou 10 jogos, empatou dois e perdeu três. Marcou 29 gols e sofreu 10. Olhando só para os números, não há motivos para preocupação no Morumbi.

 

Números que foram utilizados por Ganso para minimizar os efeitos da derrota por 3 a 0 para o Palmeiras. “O São Paulo está bem nas duas competições. O importante é o que virá pela frente”, disse o meia, ainda no Allianz Parque.

 

Os números realmente indicam duas boas campanhas, mas uma análise mais profunda sinaliza que será muito difícil para o Tricolor se dar bem quando chegar a hora de enfrentar o que virá pela frente.

 

As três derrotas foram em clássicos contra Corinthians (2 x 0 pela Libertadores), Corinthians (1 x 0 pelo Paulistão) e Palmeiras (3 x 0 pelo Paulistão). No outro clássico que já disputou em 2015, o time empatou com o Santos por 0 a 0.

 

Portanto, se chegar “lá na frente” no Paulistão, o São Paulo terá que enfrentar times nos quais ainda não conseguiu sequer marcar um gol. Na verdade, mal conseguiu finalizar contra eles.

 

Para chegar “lá na frente” na Libertadores, o Tricolor terá que evoluir muito. Se jogar o que tem mostrado até aqui contra San Lorenzo e Corinthians, correrá o sério risco de ser eliminado na primeira fase.

 

O problema do São Paulo não é o que o time vai apresentar lá na frente. O problema começou lá atrás. Durante muito tempo, o São Paulo esteve entre os clubes mais profissionais e organizados do País. Foi por isso que conseguiu, entre 2006 e 2008, o espetacular e até hoje inédito tricampeonato brasileiro.

 

O sucesso trouxe acomodação ao clube e já escrevi sobre isso há alguns anos. O São Paulo cometeu o grave erro de acreditar que seguiria soberano por muito tempo sem ter que se esforçar para isso.

 

O time não está mal só agora. Depois de 2008, ganhou apenas um título (a Sul-Americana de 2012) e vem acumulando fracassos nos confrontos diretos com os rivais.

 

Para complicar esse cenário, elegeu Carlos Miguel Aidar, dirigente de uma época em que o futebol era totalmente diferente. Seu discurso é em parte moderníssimo, mas as atitudes são arcaicas e desastrosas.

 

Aidar está fazendo o outrora soberano São Paulo regredir. E esse retrocesso começa a ficar mais claro com atuações ridículas como a de quarta-feira.

 

O São Paulo ainda é muito forte contra os médios e pequenos, mas está ficando para trás quando tem que conversar com times do seu tamanho.

Escrito por:

Carlo Carcani