Publicado 23 de Março de 2015 - 21h59

Por Carlo Carcani

O jornalista Carlo Carcani Filho

Ércia Dezonne/AAN

O jornalista Carlo Carcani Filho

Não há comparação entre o nível de organização e profissionalismo das grandes ligas da Europa e o Campeonato Brasileiro. Os europeus estão à frente, muito à frente, em tudo. Só para comparar, o jogo entre Bristol City e Walsall levou 72.315 pessoas a Wembley no domingo. São 20 mil pessoas a mais do que o público somado dos dez jogos da 11ª rodada do Campeonato Paulista, o melhor estadual do País. Bristol e Walsall disputaram o título de uma taça que reúne apenas times da terceira e quarta divisões do futebol inglês. Como se vê, não dá para comparar.

 

Mas o bem organizado e extremamente profissional futebol europeu também tem seus probleminhas.

 

Há um ano, o presidente do Bayern, Uli Hoeness, foi condenado a três anos e meio de prisão por fraude fiscal. Foi acusado de ter sonegado o valor equivalente a R$ 89 milhões e está na cadeia. Antes de ser detido, deixou o comando do Bayern, do qual também foi ídolo como atleta nos anos 70. Em campo, ganhou a Liga dos Campeões três vezes, foi tricampeão alemão e ganhou o Mundial de Clubes. Pela seleção, ganhou a Copa do Mundo e a Eurocopa.

 

Na presidência do Bayern, chegou a duas finais da Liga dos Campeões e ganhou uma. Foi bicampeão alemão e da Copa da Alemanha.

 

Enfim, Uli Hoeness é um ídolo nacional, com presença marcante na história de seu clube e da seleção. Ainda assim, foi julgado, condenado e preso.

 

Quem está no mesmo caminho é o presidente do badalado Barcelona, Josep Bartomeu, e seu antecessor, Sandro Rosell. O Ministério Público da Espanha pediu uma pena de dois anos e três meses de prisão para Bartomeu e sete anos para Rosell. Ambos são acusados de crimes fiscais na contratação de Neymar. As investigações concluíram que eles lesaram o fisco em 13 milhões de euros. Além da prisão dos dois dirigentes, as autoridades querem aplicar ao Barça uma multa de 33 milhões de euros.

 

Os crimes cometidos por dirigentes de dois dos maiores clubes do planeta indicam que o futebol europeu não é lá essas coisas porque, no fundo, tem problemas iguais ao brasileiro? Não. Claro que não.

 

Podemos afirmar, sim, que temos maus dirigentes aqui e lá. Mas o que explica a gritante diferença entre os campeonatos europeus e o nosso é que lá a lei é cumprida. Um ídolo nacional como Hoeness não pode sonegar impostos. Presidentes de um dos melhores times da história do futebol não podem sonegar impostos. Sonegou, vai para a cadeia. No Brasil... Acho que não preciso contar como é, né?

Escrito por:

Carlo Carcani