Publicado 25 de Março de 2015 - 12h42

CD, Aquiles, Colunista

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CD, Aquiles, Colunista

Num lugar distante daqui, numa jovem galáxia de um bilhão de anos, Paulo Leminski (1944-1989) percebe que sua Estrela brilha. E dela sente orgulho.

Tentarei hoje um diálogo (im)possível, visto que vivo não conversa com morto. Será? Pode ser que sim, pode ser que não. Mas eu acho que Paulo já pode ter tomado conhecimento do trabalho desenvolvido por sua filha Estrela Leminski.

Sei bem que não devemos nos meter em assunto de família, entretanto vou arriscar. E por um simples motivo: vai que ele não soube do trabalho recém-lançado? Seria um pecado privar pai e filha de reencontrarem-se num outro tipo de conexão.

Você deve estar achando que o colunista pirou, né não, leitor? Nem tanto, digo-lhe. Se é fato que morto não bate papo com vivo, quem poderá afirmar que morto não lê o que lhe diz respeito? Mesmo considerando isso tudo uma grande palermice, peço-lhe que não pare de ler o papo a seguir.

– Pois é, Paulo, depois de quase seis anos organizando um jeito de trazer de volta o trabalho musical que você deixou, Estrela brilhou na edição do álbum duplo Leminskanções – Estrelinski e os Paulera (Whols Produções). Você está lá, cuspido e escarrado, Paulo. Acho mesmo que você está feliz da vida com o resultado do trabalho dela, né?

Para nos ajudar a melhor conhecer você, ela publicou na contracapa do encarte uma frase sua, na qual, bem a seu jeito, você comenta sua vocação para a poesia e para a música: Sabe, eu sou um músico, é isso que eu tava tentando dizer agora há pouco, só que a minha poesia se expressa através disso, eu precisei me tornar um músico pra minha poesia poder se expressar, mas isso não quer dizer que eu não seja um músico. Entenderam? Pois é.

CD, Aquiles, ColunistaO disco 1 é Essa noite vai ter Sol, e o disco 2, Se nem for terra, se transformar. Ao todo 25 músicas (treze inéditas). Estrela brilha com força incomum interpretando a maioria. Além dela, Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro também estão presentes no disco 1. No disco 2 estão onze composições de PL com parceiros como Itamar Assumpção, Moraes Moreira, Zé Miguel Wisnik, dentre outros, e mais convidados: Ná Ozzetti, Serena Assumpção e Zélia Duncan, dentre outros.

Estrela pegou não só as inéditas como também músicas que fizeram sucesso na voz de outros intérpretes: “Verdura” (Caetano Veloso), “Mudança de Estação” (A Cor do Som), “Luzes” (Arnaldo Antunes), “Filho de Santa Maria” (Itamar Assumpção) e “Se houver Céu” (Paulinho Boca de Cantor). Os arranjos são puro roquenrrol. Os Pauleira tocam o fino: guitarras, baixo, teclados, bateria e percussão num show de pegada.

– É, Leminski, sua Estrelinsk brilhou na escolha do repertório, quem quiser conhecer suas músicas, ou mesmo matar saudades, tem nos dois discos uma preciosa fonte de conhecimento.

Bom, se você chegou até aqui, leitor, eu fico feliz e agradeço, mas sou forçado a perguntar: O que você está fazendo aí que ainda não foi correndo comprar Leminskanções – Estrelinski e os Paulera? Meu Deus do céu!