Publicado 25 de Março de 2015 - 9h11

Por Agência Estado

Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, deixa a Custódia da Polícia Federal em Curitiba rumo ao Complexo Médico-Penal de Pinhais

Paulo Lisboa/ AE

Renato Duque, ex-diretor de Serviços da Petrobras, deixa a Custódia da Polícia Federal em Curitiba rumo ao Complexo Médico-Penal de Pinhais

Relatório da Polícia Federal mostra que em seu novo endereço, no Complexo Médico-Penal, localizado em Pinhais, região metropolitana de Curitiba, empreiteiros, operadores de propinas, executivos e o ex-diretor de Serviços da Petrobras Renato Duque — todos réus da Operação Lava Jato — poderão assistir TV e ouvir rádio.

Eles também terão direito a banho de sol todos os dias por uma hora. Nas celas do presídio não há chuveiro individual, ou seja, o banho é coletivo. E o vaso sanitário é o chamado “boi”, um buraco no chão — o preso tem de ficar de cócoras, sentado sobre os calcanhares. Anteontem, a Justiça Federal mandou transferir 12 alvos da Lava Jato para o Complexo Médico-Penal, acatando solicitação da Polícia Federal. Em ofício ao juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato, a PF alegou que não cabia mais tanto preso na Custódia da corporação, em Curitiba.

A mudança para Pinhais começou nesta terça-feira (24). Dez presos, entre eles Renato Duque, foram levados algemados em um ônibus, que chegou por volta das 8h. O lobista Fernando Soares, conhecido como Fernando Baiano, e o empreiteiro Gérson de Mello Almada foram mantidos na carceragem da PF porque ainda devem prestar depoimentos até amanhã. Eles também seguirão para o Complexo Médico-Penal depois disso.

Além de Duque, foram transferidos ontem Agenor Franklin Magalhães Medeiros, José Aldemário Pinheiro Filho, José Ricardo Nogueira Breghirolli e Mateus Coutinho de Sá Oliveira (OAS); Erton Medeiros Fonseca (Galvão Engenharia); João Ricardo Auler (Camargo Corrêa); e Sérgio Cunha Mendes (Mendes Júnior). Adir Assad e Mário Goes, acusados de serem operadores do esquema de desvios na Petrobras, também mudaram de prisão. O ex-diretor da área Internacional da Petrobras, Nestor Cerveró, ficará na PF porque está passando por exames médicos.

Outro argumento usado pela PF para a transferência dos presos é que poderão “por acaso” ocorrer novas prisões no curso da Lava Jato. “No Complexo há médicos, inclusive psiquiatras e fisioterapeutas”, destaca o relatório da PF, subscrito pelo delegado federal Ivan Ziolkowski.

Recursos

Os ministros da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal decidiram, em sessão realizada ontem, por unanimidade, negar dois recursos apresentados pela defesa de empreiteiros que foram presos na Lava Jato. Nas duas reclamações apresentadas ao ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF, os advogados do ex-presidente da UTC Engenharia Ricardo Pessoa e do ex-vice-presidente da Engevix Gerson Almada alegam que houve “usurpação de competência” do Supremo.

Os advogados das empreiteiras contestam o fato de as investigações terem continuado mesmo após os delatores terem mencionado nomes de autoridades com foro no STF. A argumentação foi rebatida por Zavascki que diz que “não há comprovação de que houve medida investigatória de autoridade com foro”.

Range Rover Evoque

O operador de propina do PMDB na Petrobras, Fernando Baiano, deu de presente a Range Rover Evoque para Nestor Cerveró. O carro de luxo custou R$ 220 mil e foi negociado e pago em dinheiro vivo pelo lobista. Os dois são réus por corrupção e lavagem de dinheiro na compra de duas sondas de perfuração marítimas da estatal. Braço do PMDB no esquema de loteamento de diretorias da Petrobras, Cerveró é acusado de ter recebido US$ 30 milhões de propina.

O presente de luxo foi comprado em 2012, na mesma loja em que o doleiro Alberto Youssef — alvo central da Lava Jato — adquiriu um carro do mesmo modelo para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa, um ano depois.

Veja também

Escrito por:

Agência Estado