Publicado 24 de Março de 2015 - 16h25

Por Renê Moreira

Professor Wilton Marques pesquisa os arquivos a Biblioteca Nacional quando achou o poema

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Professor Wilton Marques pesquisa os arquivos a Biblioteca Nacional quando achou o poema

Um poema desconhecido de Machado de Assis foi descoberto pelo professor de literatura brasileira Wilton Marques, do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). "O grito do Ipiranga", como é chamado, foi escrito quando o autor tinha 17 anos e publicado no dia 7 de setembro de 1856.

O texto é uma obra de louvação ao País e, mais notadamente, a D. Pedro I, que no texto é comparado a Napoleão Bonaparte. O pesquisador estudava a influência dos autores românticos na formação de Machado de Assis quando se deparou com o poema.

 

Ampliar o estudo

Segundo a crítica, teriam sido publicados poemas de Machado de Assis no jornal "Correio Mercantil' somente a partir de outubro de 1858. "Resolvi ampliar um pouco a pesquisa para os anos anteriores e foi assim que achei o poema, publicado em 1856”, conta Wilton Marques.

 

Com isso, o poema ficou 159 anos sem ser percebido. Tem assinatura usada pelo escritor quando era adolescente: Joaquim Maria Machado de Assis. O pesquisador achou o poema nos arquivos na internet da Biblioteca Nacional.

O poema é composto por 76 versos decassilábicos, distribuídos por nove estrofes irregulares. De acordo com Marques, a descoberta implica em novos informações fundamentais para os estudos sobre a vida e a obra de Machado de Assis.

Ele explica que o poema traz novos dados de aspectos biográficos do autor. Marques diz que esse período da vida do escritor é muito carente de informações biográficas. "E o poema em si traz essa novidade”, afirma. Machado tinha apenas 17 anos quando o escreveu.

Liberdade!... Farol divinizado! –

Sob o teu brilho a humanidade e os séculos

Caminham ao porvir. Roma as algemas

Quebrou dos filhos que a opressão lançara

Dentre a sombra de púrpura dos Césares,

Que envolvia Tarquínio em fogo e sangue,

Cheia de tua luz e estimulada

Por teu nome divino – essa palavra

Imensa como as vozes do Oceano.

 

Sublime como a ideia do infinito!

Tal como Roma a terra americana,

Um dia alevantando ao sol dos trópicos

A fronte que domina os estandartes,

Saudou teu nome majestoso e belo –

E o brado imenso – Independência ou morte! –

Soltado lá das margens do Ipiranga.

Foi nos campos soar da eternidade.

Escrito por:

Renê Moreira