Publicado 24 de Março de 2015 - 8h42

Por Agência Estado

Joaquim Levy: ele conseguiu uma "trégua" importante para o País

Agência Brasil

Joaquim Levy: ele conseguiu uma "trégua" importante para o País

A agência de classificação de risco Standard & Poor’s manteve os ratings global BBB- e local brAAA do Brasil, com perspectiva estável. Segundo a S&P, a manutenção da nota brasileira reflete a expectativa de que o ajuste fiscal em curso terá apoio da presidente Dilma Rousseff e do Congresso Nacional, apesar do cenário político e econômico desafiador.

“A perspectiva estável reflete a nossa expectativa de que a correção em andamento continuará a atrair o apoio da presidente Dilma Rousseff e, finalmente, do Congresso, que gradualmente irá restaurar a credibilidade política perdida, abrindo o caminho para perspectivas de crescimento mais forte em 2016 e nos anos seguintes”, afirma a agência.

Os analistas da S&P dizem que, apesar das dificuldades enfrentadas pelo governo, as sinalizações de política econômica neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff mudaram “consideravelmente”. No comunicado de sua decisão, a agência citou o esforço do governo para executar o ajuste fiscal e o aperto monetário por parte do Banco Central para conter a inflação.

“O governo ainda tem de detalhar uma agenda de crescimento a médio prazo, mas esperamos que as medidas no final do ano, com uma ênfase renovada sobre a participação do setor privado em projetos de infraestrutura. Este é um outro componente chave para impulsionar o sentimento empresarial, que foi danificado nos últimos anos por decisões políticas irregulares e, atualmente, por incertezas associadas com repercussões econômicas da Petrobras e os riscos de racionamento de água e energia”, dizem os analistas.

A S&P afirmou ainda que a nota brasileira reflete a visão de que as instituições brasileiras são “bem estabelecidas” e que há um amplo compromisso com políticas que mantenham a estabilidade econômica. O texto diz que, apesar do escândalo da Petrobras, as investigações da Operação Lava Jato “destacam a força do quadro institucional do Brasil, incluindo a independência do Ministério Público”.

A decisão deve afetar de forma indireta a avaliação das outras agências de classificação de risco, avaliou o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

Segundo ele, a ação da S&P reforça a expectativa das demais agências de esperar os resultados das medidas de ajuste fiscal do governo para mexer na nota soberana do País.

O economista afirma que, justamente por já terem essa expectativa de esperar as mudanças para alterar o rating do País, o anúncio da S&P não surpreendeu tanto.

“Esperávamos que, se fosse ter alguma mudança na nota, seria lá para o segundo semestre, caso o plano de ajuste que está em curso não surtisse nenhum efeito ou um efeito muito modesto”, disse.

De acordo com Agostini, o mercado já precifica essa posição das agências de esperar o efeito das medidas de ajuste, “com preocupação em relação à gestão”. Para o economista, a manutenção do rating foi um crédito da S&P ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy, pelo bom histórico dele - e não ao governo .

A Austin Rating tem avaliação da nota soberana do Brasil igual à da S&P: BBB-, com perspectiva estável, sendo que a nota foi divulgada em 31 de outubro do ano passado. Segundo Agostini, a próxima revisão deverá ser em junho, “após termos uma noção mais clara sobre onde a situação fiscal vai estar”. 

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