Publicado 27 de Março de 2015 - 13h57

Por France Press

País mais populoso na África, a Nigéria vai às urnas neste sábado para eleger um novo presidente. As eleições foram adiadas por seis semanas após atentados realizados por jihadistas do Boko Haram, a principal preocupação e problema do atual governo.

Em uma aparente tentativa de reação por parte das autoridades visando às eleições, o exército nigeriano afirmou ter retomado nesta sexta-feira o controle da cidade de Gwoza, onde o grupo islamita proclamou o estabelecimento de um califado no ano passado.

No total, são 14 candidatos ao cargo, entre os quais a primeira mulher que aspira à presidência. No entanto, apenas dois têm chances reais: o atual presidente, Goodluck Jonatha, e o ex-general Muhammadu Buhari, que chefiou uma junta militar na década de 1980.

A eleição deve ser disputada. Contestado por não conter o avanço do Boko Haram, Jonathan tem pela frente um adversário de apelo popular, em particular no norte, foco dos extremistas e onde a maioria é muçulmana.

O chefe da comissão eleitoral, Attahiru Jega, reiterou que foi feito "tudo o que era humanamente possível" para garantir uma eleição confiável.

O adiamento da eleição presidencial, inicialmente prevista para 14 de fevereiro, afetou o mais rico e maior produtor de petróleo entre os países africanos, cuja economia sofre com a queda no preço do petróleo cru.

Na última sexta-feira, a agência de classificação de risco Standard & Poor's voltou a diminuir a nota da Nigéria, colocando o país na categoria de dívida especulativa, por três razões: petróleo, instabilidade política e Boko Haram.

A segurança em torno dos comícios eleitorais é o que gera mais inquietação, afinal foi a falta dela que levou ao adiamento das eleições.

Desde então, os militares nigerianos, apoiados por exércitos dos países fronteiriços, têm obtido inúmeros êxitos, a ponto de o atual governo ter anunciado para breve o fim do Boko Haram, após seis anos de conflito que causou a morte de pelo menos 13 mil pessoas.

Vários analistas discordam deste otimismo, considerando que os fundamentalistas, agora aliados ao Estado Islámico (EI), vão recuperar suas estratégias de guerrilha.

 

ONU promete agir contra violência eleitoral 

 

Também se teme pelas violências de caráter eleitoral, frequentes nessa época de campanha no país da África Ocidental. Na última disputa presidencial, em 2011, morreram mais de mil militares nigerianos. Entre dezembro de 2014 e janeiro de 2015, ocorreram cerca de 60 mortes.

A ONU tem advertido que pedirá "a responsabilização de quem recorrer à violência para contestar o resultado das eleições".

Por volta de 68,8 milhões de nigerianos, de um total de 173 milhões, estão aptos a votar no próximo sábado, nas eleições presidencial e legislativa.

No dia 11 de abril, haverá eleições para governadores e parlamentos locais, enquanto os preparativos da comissão eleitoral transcorrem sob forte pressão.

O Partido Democrático Popular (PDP), atualmente governista, lamentou alguns aspectos da eleição, como o baixo número de títulos eleitorais e o registro biométrico dos eleitores.

Já o Congresso Progresista (APC), liderado por Muhammadu Buhari, acusa o governo de  manipulação por querer voltar ao tradicional voto em cédula, o que facilitaria o aumento dos votos nas urnas.

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