Publicado 27 de Março de 2015 - 10h12

Por France Press

O exército nigeriano afirmou que retomou nesta sexta-feira (27) o controle da cidade de Gwoza, no nordeste da Nigéria, onde o grupo islamita Boko Haram havia proclamado o estabelecimento de um califado no ano passado.

"O exército tomou Gwoza nesta sexta-feira de manhã, destruindo a sede do chamado califado dos terroristas", declarou o Ministério da Defesa em Abuja, em sua conta no Twitter. 

Este anúncio ocorre na véspera das eleições presidenciais e legislativas na Nigéria.

"Vários terroristas foram mortos e muitos deles foram capturados. Uma limpeza completa de Gwoza e seus arredores está sendo realizada", informa uma segunda mensagem.

O porta-voz do exército nigeriano, Chris Olukolade, disse à imprensa em Abuja que a recuperação da cidade era o resultado de "operações terrestres e aéreas bem coordenadas".

"Muitas armas e munições foram encontradas e a sedes administrativa (do Boko Haram) foi completamente destruída", indicou.

Operações de busca foram lançadas "para localizar os terroristas em fuga ou possíveis reféns", acrescentou Olukolade.

É a partir de Gwoza, conquistada pelos insurgentes em junho de 2014, que o líder do Boko Haram, Abubakar Shekau, proclamou em agosto um "califado" nas áreas sob controle dos islamitas armados no nordeste do país.

No início deste mês, os moradores que fugiam de Gwoza relataram à AFP que os islamitas estavam começando a se reunir nesta cidade do estado de Borno e executando os civis que não conseguiram fugir.

O grupo islamita, que foi expulso de um grande número de localidades no nordeste nas últimas semanas pelo exército nigeriano e seus aliados dos países vizinhos, parecia estar reunindo suas forças para defender seu feudo.

Segundo Olukolade, corpos foram encontrados em um poço.

Líder do Boko Haram ordem morte de mulheres

E de acordo com Usman Ali, um homem forçado a se juntar às fileiras do Boko Haram, o próprio Shekau ordenou a execução das mulheres na cidade.

Ali, um agricultor de 35 anos, disse ter assistido a um discurso de Shekau a seus combatentes em 15 de março.

"Ele lhes disse para voltar a Gwoza e matar todas as mulheres que foram deixadas para trás. Disse-lhes que se não as matassem, eles não as encontrariam no paraíso", relatou à AFP após conseguir escapar.

"Eles nos levaram a Gwoza onde assistimos a carnificina", acrescentou.

Outro habitante da localidade, Haruna Abubakar, confirmou o massacre, sem poder especificar o número de mulheres assassinadas. 

O porta-voz do governo para a segurança, Mike Omeri, declarou na semana passada que o exército estava se preparando para lançar o "ataque final" contra o Boko Haram, e que Gwoza fazia parte de uma das três áreas ainda sob controle islâmico.

Olukolade considerou nesta sexta-feira que "o exército foi capaz de retomar todos os enclaves e esconderijos onde os terroristas rondavam" no nordeste.

Ele indicou ainda que "alguns terroristas estão se dirigindo para as zonas fronteiriças", onde deverão ser interceptados pelos exércitos aliados dos países vizinhos.

A retomada de Gwoza, se confirmada, representaria uma vitória importante e simbólica para o exército nigeriano e para o presidente Goodluck Jonathan, muito criticado durante todo o seu mandato por sua incapacidade de interromper a insurreição islamita e candidato à reeleição no sábado, em eleições que se anunciam apertadas.

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