Publicado 25 de Março de 2015 - 19h33

Alckmin disse ter solicitado autorização à Anvisa o uso da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan

Cesar Rodrigues/ ANN

Alckmin disse ter solicitado autorização à Anvisa o uso da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou nesta quarta-feira (25), em Campinas, a criação de uma "força tática" para reforçar as ações de combate à dengue nos municípios com mais casos da doença.

Entre as principais ações está a contratação de 500 novos agentes para a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) e de 30 médicos militares, em parceira com a Secretaria do Estado da Segurança Pública (SSP).

A quantidade de agentes duplica o quadro atual de profissionais que atuam em todo o Estado, passando a ser de 1 mil profissionais.

No anúncio, Alckmin afirmou que a região de Campinas deve ser prioritária na distribuição dos novos agentes. "A principal região a receber esses funcionários será a de Campinas", disse o governador.

Na área estão concentrados 42 municípios. Algumas dessas cidades já confirmaram estar enfrentado uma epidemia da doença, como é o caso de Sumaré. Já, os médicos militares serão distribuídos entre os municípios com situação mais crítica. Porém, o envio do recurso humano só ocorrerá se os municípios solicitarem à Sucen.

Hoje, a região já possui agentes da superintendência atuando no combate à doença, principalmente nas ações de nebulização costal. O número total desses profissionais não foi informado pelo órgão.

Os agentes a mais, seria um reforço importante na execução das medidas focadas no bloqueio da transmissão do vírus. O trabalho dos novos agentes está previsto para ter início já em abril, conforme as solicitações das cidades forem ocorrendo.

O contrato desses agentes tem duração de três meses - período considerado estratégico, pelo órgão, para o combate a proliferação dos mosquitos.

Valor

No total, a Saúde investirá R$ 6 milhões para execução do plano. Além da contratação de mais gente, foram comprados 150 atomizadores costais para aplicação de inseticidas e de 450 kits de Equipamentos de Proteção Individual (EPI), que garantem a segurança dos funcionários. Também foram adquiridos 7 vans para o deslocamento das equipes e a manutenção de 50 caminhonetes utilizadas para transporte de máquinas, inseticidas e insumos.

Preocupação

A preocupação com a doença já faz parte do dia a dia dos moradores de diversos bairros de Campinas. A cidade já somou 5.245 casos de dengue este ano, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) do Estado de São Paulo. Há ainda 8.414 casos notificados, que poderão ser confirmados como a doença, uma vez que sorologia foi suspensa no início da semana.

A suspensão da sorologia significa que a dengue é confirmada sem a necessidade de exame de sangue, apenas exame clínico. Isso ocorre quando há mais de 80 casos para cada 100 mil habitantes, e é uma medida indicada pelo governo estadual.

Os 8.414 casos ainda não foram confirmados automaticamente porque podem ser anteriores a suspensão da sorologia e ainda descartados pelo exame clínico.

Houve um registro de morte confirmada pelo agravamento da doença de um homem de 78 anos. Outras quatro estão sendo investigadas. Os bairros com mais número de casos são os da região Sul onde destacam o São Fernando, o São Domingos e o Campo Belo.

Na mesma época do ano passado, a cidade tinha confirmado 1.042 casos de dengue, de acordo com os números apresentados na terceira semana de março de 2014 pela Secretaria de Saúde do município. Na época, haviam ainda 1.914 doentes sob investigação da vigilância.

Por meio de assessoria de imprensa o secretário de Saúde, Carmino de Souza, afirmou que ainda não foi informado pelo órgão da contratação dos novos agentes e repasse para as cidades necessitadas. Mas adiantou que tem interesse de solicitar a presença dos novos profissionais para agir no combate à epidemia na cidade.

Parceria

A secretaria estadual também firmou parcerias com instituições públicas e privadas, para a distribuição de mais de 15 milhões de materiais informativos sobre a doença, em diversos formatos. A operadora de telefonia móvel Claro, por exemplo, vai disparar 10 milhões de torpedos com alertas sobre a dengue.

Orientações sobre o combate à doença também serão transmitidas em mensagens eletrônicas divulgadas pela Desenvolvimento Rodoviário (Dersa) e pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp).

"Este conjunto de iniciativas será extremamente importante para fortalecer o trabalho realizado pelos municípios no combate ao mosquito Aedes aegypti, bem como reforçar o alerta à população. Acreditamos que somar esforços, buscando parcerias com a iniciativa privada, é fundamental em estratégias de prevenção e promoção da saúde, como o combate à dengue", afirmou o secretário de Estado da Saúde, David Uip.