Publicado 28 de Fevereiro de 2015 - 11h58

Por Adagoberto F. Baptista

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

O Crematório Municipal de Campinas está pronto para começar a operar, após mais de um de obras. O prefeito Jonas Donizette (PSB) fez a última vistoria técnica e o decreto que estipula as normas de funcionamento da unidade foi publicado na última sexta-feira no Diário Oficial do Município. O local também conta com todos os laudos de avaliação para dar início ao funcionamento. A estimativa é que a unidade abra oficialmente na próxima semana. Esse será o segundo crematório público do Estado de São Paulo e a unidade vai aliviar o problema de falta de espaço nos cemitérios. O valor também é mais baixo. A cremação custará R$ 1,3 mil.

O crematório foi instalado em uma área de 600 metros quadrados, no Parque Nossa Senhora da Conceição (Cemitério dos Amarais). A unidade conta com um forno e três câmaras frias. No espaço há uma capela ecumênica, uma sala de velório, uma área para café e uma sala de estar. A capacidade instalada vai permitir a cremação de até 12 corpos por dia. A cremação de um corpo, dependendo da estatura, leva em média uma hora. Num primeiro momento, a expectativa é atender a uma demanda mensal de 12 cremações. O investimento no prédio e aquisição dos equipamentos foi de aproximadamente R$ 2,8 milhões. Segundo o prefeito, o único crematório público no Estado até então, era o da Vila Alpina, que fica na Capital.

“No nosso levantamento, temos entre 12 e 15 corpos que são encaminhados para a Capital para a cremação. Esse espaço que vamos inaugurar agora deve receber a demanda de toda a região. É o segundo crematório público do Estado. Já estamos com todos os laudos das vistorias, com autorização de funcionamento e publicamos agora a tabela de preços”, disse o prefeito.

A licença provisória de 180 dias foi concedida pela Cetesb em novembro do ano passado após a realização de testes por uma empresa especializada. O forno também já foi regulado. A licença provisória dura até maio. Antes de vencer, a própria Cetesb acompanhará a cremação de um corpo humano para emitir uma nova licença de operação que será válida por um período dois anos.

A inauguração do Crematório Municipal está atrasada há pelo menos um ano. O funcionamento estava previsto inicialmente para o fim de 2013, mas foi adiado para julho de 2014. O presidente dos Serviços Técnicos Gerais (Setec), Sebastião Sérgio Buani, informou que prepara a cerimônia de inauguração, que deve ocorrer no início da próxima semana. “Estamos convidando a região metropolitana para o evento. São mais de 4 milhões de moradores em nossa região, e vamos dar ampla publicidade para o crematório”, disse Buani.

O início da operação do crematório diminuirá os índices de sepultamento e ajudará desafogar os cemitérios municipais da cidade. Dois deles, o Cemitério de Sousas e o Cemitério da Saudade, estão praticamente esgotados. As únicas sepulturas disponibilizadas são retomadas após processo jurídico por estarem em estado de ruína ou abandono. Já o Cemitério Nossa Senhora da Conceição tem vida útil de 10 anos na quadra perpétua. A quadra geral funciona em esquema de revezamento por três anos e não há risco de esgotamento.

COMO FUNCIONA - No crematório, os corpos são submetidos a temperaturas de até 1.000°C. Os gases do processo descem até uma câmara secundária, por meio de uma passagem que os força para baixo. Dessa forma, não há risco de contaminação do solo e, por isso, o sistema é considerado uma opção ambiental melhor que o cemitério. Antes de ser incinerado, a legislação determina que o corpo permaneça 48 horas dentro de câmaras frias. Depois disso é levado ao forno e em 90 minutos se torna cinza.

Do ponto de vista ambiental, a incineração é considerada menos impactante que o enterramento dos corpos, especialmente porque não tem o necrochorume como resíduo - um líquido composto por água, sais minerais e substâncias orgânicas, responsável pela contaminação do solo e aquíferos subterrâneos. O cadáver fica infestado de bactérias, vírus e micro-organismos patogênicos com capacidade de infiltração no solo com ajuda da chuva.

Escrito por:

Adagoberto F. Baptista