Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 18h31

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Cecília Polycarpo

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Mais de mil corretores de imóveis de Campinas serão treinados pela Prefeitura para virarem agentes de combate à dengue. O objetivo da parceria com o Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) é que os próprios funcionários das imobiliárias façam a vistoria contra criadouros do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, nas residências fechadas à espera de compradores ou locatários. Hoje, o município tem pelo menos 15 mil imóveis nesta situação. O último balanço da Secretaria de Saúde do último dia 10, confirmou 211 casos da doença neste ano.

Com o treinamento, que será dado pela Vigilância em Saúde até abril, corretores estarão apto para vistoriar calhas, vasos sanitários abertos, piscinas, plantas e etc, e eliminar a água acumulada. Cada casa vistoriada pelos vai receber um selo com o logo do Creci em sua fachada para comprovar a ação. O adesivo terá o nome do corretor responsável e seu telefone de contato. Desta forma, agentes que entendam ser necessário vistoriar mais uma vez o local, podem conseguir as chaves. Segundo o conselho, 800 imobiliárias são associadas na cidade e a intenção é que todas façam parte do programa.

O vice-presidente do Creci, Waldemar Biondi, contou que a parceria surgiu depois com uma reunião com o prefeito Jonas Donizette (PSB). Segundo ele, o conselho já vem aconselhando os corretores para ficarem atentos aos criadouros do mosquito. Além disso, quando a Vigilância Sanitária quiser vistoriar algum imóvel, todos estarão instruídos para abrir imediatamente o local. “A ideia é unir forças, juntas o pessoal da Prefeitura com o nosso para diminuir cada vez mais a presença do mosquito”, afirmou.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) disse que a parceria evita ainda situações de multa do imóvel e o acionamento de recursos legais para entrar nos locais. "O mais importante é que teremos um monitoramento, ou seja, quando o corretor vistoriar o imóvel será colocado um selo para garantir que o local não está com criadouros", disse. No ano passado, o governo recorreu diversas vezes à Justiça para conseguir entrar nos imóveis vazios e eliminar os criadouros.

Para a Secretaria de Saúde, a medida contempla a proposta de angariar parceiros na luta contra a dengue e a febre chikungunya, doença parecida com a dengue também transmitida pelo Aedes. Segundo a Pasta, a medida mais eficaz no combate às duas doenças é justamente a eliminação dos objetos que acumulam água, que podem servir de criadouros para o mosquito transmissor.

Liminar

No ano passado, a Secretaria de Saúde de Campinas abriu, por meio de liminar da Justiça, mais de 200 residências abandonadas, fechadas ou negligenciadas pelo proprietário para eliminar possíveis focos do mosquito. A liminar foi obtida em março de 2014 e a ação de vistoria iniciada em abril, auge da pior epidemia da doença na cidade, que contaminou mais de 43 mil pessoas. A autorização judicial é usada de forma excepcional, e a Prefeitura ainda não abriu casas desabitadas este ano. Apesar disso, moradores de Campinas já estão preocupados com possíveis criadouros em casas, devido ao armazenamento de água em galões e caixas dágua extra em meio a crise hídrica e um possível racionamento.

O uso da liminar é uma última alternativa para as ações, informou a Secretaria. O objetivo é entrar em contato com responsável, o que não permite uma ação imediata no local. De acordo com a decisão da Justiça – ainda válida para este ano – o agente de controle de vetor está liberado para executar todos os serviços necessários a erradicação dos possíveis criadouros. Se necessário, é permitido o arrombamento ou apoio da Guarda Municipal. Em caso de eventuais danos pelo ingresso forçado, a Prefeitura deve reparar o prejuízo.

QUADRO

Segundo último balanço divulgado pela Prefeitura, na primeira quinzena de fevereiro, Campinas já confirmou 211 casos de dengue em janeiro deste ano e outros 1.002 continuam em investigação. No ano passado, quando a cidade viveu a maior epidemia de sua história, o município registrou 262 deles em janeiro. A Secretaria informou que divulgará novo balanço no próximo mês. No ano passado, foram 41 mil casos.