Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 17h35

Por Bruno Bacchetti

Bruno Bacchetti

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Fotos: Foi pautada foto com moradores para às 19h

Com medo da onda de assaltos e violência, moradores da Cidade Universitária II, no distrito de Barão Geraldo, se movimentam mais uma vez para tentar fechar as ruas em bolsões residenciais. O objetivo é reduzir as rotas de fugas de criminosos e fechar as ruas para veículos, mantendo aberta a passagem para pedestres como já ocorre em alguns bairros, por exemplo o Alto Taquaral e Santa Genebra. A medida, no entanto, está longe de ser unânime e recebe críticas de alguns moradores da região, que se mostraram contrários ao fechamento das ruas.

Imigrante portuguesa, a comerciante Ana Paula Sodré Real, de 53 anos, encabeça o movimento e busca apoio de moradores e do Poder Público. Ela busca apoio nas redes sociais, em conversas com vizinhos e diz que irá organizar um debate na praça em frente ao Parque Prof. Hermógenes de Freitas Leitão. "Estou fazendo a campanha no Facebook, abaixo-assinado e vamos organizar debates com entidades do Urbanismo, Prefeitura e associações do bairro. Tenho tido contatos muitos positivos. Só ontem à tarde recebi 119 emails e apenas cinco contrários e vários vereadores me procuraram", contou.

Ana diz que os furtos e roubos aumentaram muito no bairro e a localização próxima a rodovias favorece a fuga de assaltantes. Por isso, o objetivo é colocar vasos ou floreiras para impedir o fluxo de veículos e manter a passagem de pedestre. "A rota de fuga deles é por ali, dá acesso à rodovia D. Pedro e Campinas-Mogi. A ideia seria travar essa possibilidade de fuga de carro com vasos gigantes e plantas, mas nada que atrapalhe o transeunte", explicou.

Esta não é a pormeira vez que os moradores da Cidade Universitária tentam implantar bolsões residenciais no bairro, e medida semelhante foi tentada anos atrás. A diferença, segundo Ana, é que o objetivo é fechar somente a Cidade Universitária II. "O que mudou é a proposta. Antes era para toda a Cidade Universitária (I e II) e isso foi o grande impedimento. Sei que vão ter pessoas contras, mas se a maioria disserem por escrito que querem, é viável", afirmou a comerciante.

O professor de Música Roberto Otrebor, de 45 anos, é um dos moradores do distrito que são contrários à implantação de bolsões residenciais. "O principal é que não podemos privatizar um espaço público. Além de que você resolve o seu problema, e joga o resto para os outros. O grande problema é que as pessoas que buscam esse tipo de atitude, são incapazes de dialogar e aceitar as diferenças. Se querem mais segurança mudem para condomínio", disse.

Morador de Barão Geraldo, onde foi subprefeito, o vereador Thiago Ferrari (PTB) é favorável à criação dos bolsões residenciais. Ele disse que foi procurado pelo grupo de moradores e orientou as ações necessárias. Segundo ele, ao contrário de tentativas anteriores, a possibilidade do fechamento é real, desde que cumpridas as exigências e pré requisitos. "Há um tempo fui procurado, orientei e depois não recebi resposta. Em decorrência da violência que estamos sofrendo, sou a favor do fechamento, de forma a valorizar o bairro. Mas o fechamento não pode atrapalhar o acesso e respeitar as exigências", declarou.

No entanto, apesar do movimento para a criação do bolsão, a Secretaria de Urbanismo da Prefeitura informou, através da assessoria de imprensa, que não pode permitir o fechamento neste momento porque a legislação não permite. Mas reconheceu que é um assunto que precisa ser repensado.

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