Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 17h28

Por Sarah Brito Moretto

Foto: César

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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O estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) concluiu que a cratera entre Santa Bárbara DOeste e Americana, na cabeceira do córrego Suzigan, continua em processo de erosão e a evolução lateral do buraco está em processo acelerado. O trabalho foi entregue em dezembro do ano passado às prefeituras, que deverão contratar um projeto executivo que detalhe o projeto básico do IPT. A solução apontada envolve sistemas de drenagem, estabilização dos taludes e proteção da vegetação no entorno. O detalhamento do projeto informará o custo da reparação.

A cratera apresenta grandes dimensões, de aproximadamente 900 metros de extensão, largura variando de 20 a 100 metros e taludes com alturas variando entre oito a 20 metros. Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, Cláudio Luiz Ridente Gomes, a evolução lateral do processo encontra-se acelerada em função do lançamento contínuo das águas pluviais no interior da cratera, principalmente durante ou após chuvas intensas.

A água atinge os taludes provocando erosões nas suas bases, como ocorre na formação de um canyon. Essas erosões associadas aos processos instabilizam os taludes. Ontem, era possível ver que parte de um talude havia desmoronado, deixando instável o solo superior. O trabalho de pesquisa levou em conta aspectos geológicos egeotécnicos para caracterizar o processo erosivo e estudos hidrológicos para a bacia de contribuição dos municípios. Segundo Cláudio, todo o solo que teria que ser cortado para estabilizar o talude será da própria cratera.”Todo esse volume de terra para estabilizar a erosão ficou dentro da própria cratera, foi um grande desafio desse trabalho. Isso barateia a obra e evita impacto ambiental em outra área”. disse.

O resultado do levantamento foi o projeto básico de recuperação da erosão, constituído por um canal de drenagem em gabião, drenos para a condução adequada das águas de subsuperficie, estabilização dos taludes por meio de retaludamentos, sistema de drenagem superficial e sistema de proteção superficial vegetal dos taludes. No final do processo erosivo existe uma drenagem natural de aproximadamente dois quilômetros até chegar ao rio Piracicaba

O valor ainda não foi estimado para as obras de reparação da cratera, uma vez que o estudo era indicativo para solução do meio físico. “O projeto básico ele levou em consideração o meio e a questão geológico e geotérmica. Também foi pensado o uso e a ocupação do solo: áreas onde há espaços habitacionais, residenciais ou em processo de habitação”, disse o pesquisador. A cratera ficou maior durante o longo período de estiagem do ano passado. Uma das razões que podem ter afetado o buraco seria a ausência de água no lençol freático, que cumpre uma função estrutural.

A Prefeitura de Santa Bárbara Doeste informou, por meio de assessoria de imprensa, que “ainda analisa o relatório apresentado pelo IPT para tomada de decisões”. A Prefeitura de Americana informou que já está providenciando a realização do projeto para a execução das obras, em conjunto com proprietários e empreendedores vizinhos da área.

Intertítulo – O caso

A rachadura no solo começou em 2007, causado pelo escoamento de águas pluviais sem tratamento no local. No leito da erosão passa ainda um pequeno fio de água. Em 2009, o Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente (Gaema) do Ministério Público Estadual (MPE), de Piracicaba, começou a investigar o caso.

Em agosto do ano passado, decisão da Justiça manteve a condenação às prefeituras para que recomponham o dano ambiental, recuperem a área degradada e criem infraestrutura capaz de acabar com o processo de erosão, causado pelo escoamento de águas pluviais sem tratamento no local. Desde meados de 2013, as administrações de Santa Bárbara dOeste e Americana estão obrigadas por liminar a executar obras no local, mas aguardam o estudo sobre a situação

Escrito por:

Sarah Brito Moretto