Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 14h25

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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A chuva amenizou e foi o suficiente para que o Sistema Cantareira tivesse o primeiro dia de estabilização após 21 dias consecutivos de elevação no volume de água armazenado. Os reservatórios operaram ontem com 11,1% da capacidade, mesmo volume registrado na quinta-feira. As chuvas deste mês conseguiram recuperar 37,8% do volume morto dos reservatórios que começou a ser utilizado em maio de 2014. Dos 282,25 bilhões de litros adicionados ao sistema a partir do bombeamento das duas cotas do volume morto, os reservatórios contavam ontem com 107,2 bilhões de litros.

Desse volume, 105 bilhões de litros correspondem a segunda cota, que foi integralizada ao sistema essa semana. Quando o nível de operação dos reservatórios chegar a 29,9%, a primeira cota terá sido recuperada, e então começará o armazenamento de volume útil, o que trará mais tranquilidade ao abastecimento das regiões de Campinas e São Paulo. A Agência Nacional de Águas (ANA) defende uma operação muito criteriosa do Cantareira, para que os reservatórios possam chegar a 30 de abril, operando com 10% do volume útil, meta que especialistas em recursos hídricos acreditam ser dificil de conseguir, dada o alto grau de incerteza em relação às chuvas de março e abril.

Um dos motivos que explicam a interrupção da subida de nível é o fato de ter chovido apenas 0,7 mm nas represas na quinta-feira. Apesar disso, a precipitação em fevereiro é de 293,7 mm, 47,5% acima da média esperada para o mês. Além disso, houve um redução da vazão afluente, ou seja, o volume de água que chegou aos reservatórios de 34,3 m3/s na quinta para 24,1 m3/s ontem, ao mesmo tempo em que houve mais retirada de água para abastecer a Grande São Paulo. Na quinta, os reservatórios enviaram 4,3 m3/s e ontem 9,5 m3/s foram destinados ao abastecimento de 6,5 milhões de pessoas na Região Metropolitana de São Paulo. Para os rios da Bacia do Piracicaba, o sistema descarregou 0,30 m3/s no Atibaia e 0,15 m3/s no Jaguari.

O Rio Atibaia registrou uma vazão ontem de cerca de 18 m3/s na área de captaçao de Valinhos, que fica cerca de um quilômetro de onde a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa) retira a água para abastecer 95% da população de Campinas.

Apesar da chuva ter conseguido recompor mananciais internos na região, cinco cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) decidiram manter rodizio no fornecimento de água à população. Santa Bárbara d´Oeste, Cosmópolis, Nova Odessa, Valinhos e Vinhedo que há um ano enfrentam racionamento, irão continuar restringindo o abastecimento. As abundantes chuvas de fevereiro, no entanto, ainda não sinalizam que haverá água para enfrentar o período de estiagem a partir de abril. Não é hora, segundo os municípios, de afrouxar as medidas de restrição de consumo de água no curto prazo.

RETRANCA

Promotores, procuradores e defensores públicos estaduais e federais de São Paulo estão elaborando uma carta de recomendação ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) para que implemente um plano de contingência, com regras claras de racionamento de água e proteção específica das comunidades pobres por risco de desabastecimento, para o enfrentamento da falta de água na região metropolitana de São paulo e na bacia dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiai (PCJ). Com a perspectiva de agravamento da crise com a chegada da estiagem, os juristas pedem transparência nas definições.

Segundo a procuradora Sandra Akemi Shimada Kishi, apesar do compromisso assumido pela nova direção da Companhia de Saneamento Básico do Estado (Sabesp) de maior transparência, até agora, o que vinha ocorrendo era a falta de informações claras sobre a crise da água, como a forma de utilização do volume morto 3 do sistema Cantareira e uma possível adoção do racionamento. “Falta acesso a informações, falta transparência”, apontou. Ela ressaltou a importância de uma atuação conjunta para o enfrentamento da crise. "O MPF está desenvolvendo um projeto junto com Ministério Público Estadual e a sociedade, que foi aprovado em janeiro desse ano, para estudarmos e definirmos metas para a gestão da água no intuito de evitar uma nova crise hídrica", disse.

Os juristas cobraram ainda que sejam realizados estudos técnicos de impacto ambiental antes da realização de obras nos mananciais e transposições, que tenham o objetivo de enfrentar a crise hídrica. A principal obra anunciada para o enfrentamento da crise é a transposição do rio Paraíba do Sul, que abastece o estado do Rio de Janeiro, para o Sistema Cantareira, que abastece 6,6 milhões de pessoas em São Paulo. Porém, a situação dos reservatórios ao longo rio também é crítica.

ELEMENTO

As reservas na Grande São Paulo e região de Campinas

Sistema Volume armazenado (%) Chuva do dia (mm) Chuva acumulada (mm)

Cantareira 11,1 0,7 293,7

Alto Tietê 18,3 7,3 301,4

Guarapiranga 60,1 0 238,8

Alto Cotia 38,6 20,6 190

Rio Grande 83,1 0,2 192,4

Rio Claro 35,8 0,2 253,5

Fonte: Sabesp

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Maria Teresa Costa