Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 14h31

Por Rogério Verzignasse

Fotos Edu Fortes quarta e quinta (da Paola, do Leandro e do Lucas)

Rogério Verzignasse

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Aqueles adolescentes nasceram em famílias humildes da região do Jardim São Marcos. Seus pais sempre deram um duro danado para sobreviver e colocar comida na mesa. Entusiasmados, sonhadores, os jovens fizeram um curso de reforço escolar dentro do Gupo Primavera, entidade assistencial fundada há 34 anos. Aprovados nos vestibulinhos, eles fizeram o Ensino Médio em colégios tradicionais. Agora, aprovados para estudar nas melhores faculdades públicas, falam que não possuem dinheiro para bancar viagens, transporte e alimentação fora daqui. O sonho do futuro brilhante parece desmoronar.

O reforço escolar, batizado como Pacto, foi lançado em 2002 e, neste tempo todo atendeu a centenas de jovens carentes daquela região, que não tinham como pagar as mensalidades caras dos cursinhos preparatórios. A partir de março, para se ter uma ideia, 85 jovens estarão de revezando nas duas salas de aula da sede do Primavera, em horários alternados. O projeto é mantido por nove professores e prestadores de serviço contratados pela entidade, com recursos de chegam de patrocínio privado.

A coordenadora do pré-vestibulindo, a educadora Paola Sanfelice, explica que a proposta do Pacto sempre foi dar uma oportunidade de formação de qualidade a jovens que _ sem recursos _ nunca poderiam disputar vagas em colégios renomados. Ela admite, no entanto, que é duro ver que os jovens terão de improvisar formas para sobreviver fora de Campinas, longe da casa dos pais.

Histórias pessoais

Leandro Alexandre Venâncio de Almeira, de 18 anos, é filho de uma diarista e um carregador de caminhão.O rapaz nasceu e cresceu no Santa Mônica. O jovem viu no Pacto a oportunidade de se preparar bem e concorrer a uma vaga no colégio técnico. E ele conseguiu. Fez, simultaneamente, o Ensino Médio tradicional na Etecap ao curso técnico de informática no Cotuca. E não bastasse a passagem pelos dois colégios respeitadíssimos, o rapaz acaba de ser aprovado na Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde pretende estudar Produção Cultural. Só que ele nunca saiu de Campinas, não possui parentes ou conhecidos por lá. Todo o dinheiro que tem paga a passagem de ônibus até o Rio. Ele precisa se matricular até dia 3. As aulas começam dia 9. Ele só não sabe onde vai ficar, como vai comer. “Eu toco violão e teclado de ouvido. Nasci para ser produtor musical. Tenho fé que vou conseguir. Como, ainda não sei ”, diz.

Lucas de Castro Araújo, de 17 anos, saiu do Pacto direto para o Cotuca, e começou a fazer planos para a carreira. Decidiu prestar vestibular para engenharia de alimentos, e foi aprovado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Mas a vida, diz, exige que ele trabalhe para se manter. É estagiário no setor de Desenvolvimento de Projetos na Unilever. Morador do Vila Olímpia, filho de um pedreiro de de uma dona de casa, o rapaz já decidiu que não vai morar em São Carlos. Paciente, espera ser aprovado no próximo vestibular da Unicamp. E,. finalmente, se tornar engenheiro. “A gente vai se esforçando, se ajeitando como dá. Eu preciso ficar aqui mesmo em Campinas”, afirma.

Um terceiro talento revelado pelo Pacto, Elton Pinheiro, já saiu de Campinas, segundo a coordenadora Paola. Aprovado para fazer engenharia química no campus da Universidade de São Paulo em Lorena, o rapaz viajou para tentar negociar algum tipo de bolsa para se manter por lá.

“A gente corre o risco de perder grandes talentos. Os jovens foram aprovados em vestibulares superconcorridos. Já provaram competência. Nós, aqui no Grupo Primavera, nos orgulhamos de ter contribuído com esse sucesso. A gente torce quer cada um encontre uma forma de seguir na carreira universitária”, diz.a educadora.

O NÚMERO

150 mil

REAIS

É o custo anual do cursinho pré-vestibular Pacto. Os recursos são garantidos nos próximos dois anos, graças a um patrocínio da Petrobras.

BOX

O Grupo Primavera, fundado por voluntários em 1981, já atendeu quase dez mil crianças e adolescentes desde a sua fundação. Hoje, há cerca de 500 jovens assistidos na sede do Jardim São Marcos, no contraturno escolar. Eles participam de programas inovadores de educação social, recebem reforço escolar e participam de programas profissionalizantes. A proposta original do grupo é atenuar os riscos sociais inerentes àquela região carente da cidade. O grupo tem 40 funcionários contratados e uma dezena de voluntários. Para sobreviver, e bancar as despesas mensais que chegam a R$ 2,6 milhões anuais, o Primavera conta o patrocíno 15 grandes empresas instaladas na região.

SAIBA MAIS

Quem pretende ter informações detalhadas sobre o Pacto e sobre os jovens talentos pode escrever para [email protected]

O Grupo Primavera fica na Rua Dr. Luiz Aristeo Nucci, 30, Jardim São Marcos.O telefone de contato é o (19) 3746-7990. O site da entidade é o www.gprimavera.org.br

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Rogério Verzignasse