Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 14h09

Por Maria Teresa Costa

Maria Teresa Costa

Da Agência Anhanguera

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A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) iniciou estudos para ampliar o suprimento de água nas unidades de ensino, pesquisa e área hospitalar como forma de enfrentamento da crise hídrica que atinge o Estado de São Paulo desde o Verão de 2013 e com perspectiva de se agravar este ano. Um levantamento sobre o potencial de água subterrânea começou a ser feito na área da Fazenda Argentina adquirida no ano passado para a ampliação do campus e irá indicar a viabilidade de incrementar a oferta de água à universidade com poços artesianos. A segunda maior consumidora da cidade, atrás apenas da Prefeitura, a Unicamp vai também captar chuva e de ar condicionado para incrementar a oferta, dentro de um programa de ampliação de água de reúso.

O assessor da Coordenadoria Geral da Unicamp (CGU), Orlando Fontes Lima Jr, informou que a Unicamp montou um plano de contingência com medidas de conscientização, racionalização e prevenção. A universidade já utiliza poços no abastecimento interno, mas ainda é pouco – cerca de 20% do consumo vem desse manancial. Embora não seja medida de rápida implantação, disse Lima Jr, são decisões que visam garantir um suprimento de longo prazo na Unicamp, que tem áreas onde a falta de água poderá representar danos severos à pesquisa e ao atendimento da população.

A Unicamp, segundo ele, conseguiu reduzir o consumo com ações de programas de racionalização, como o Pró-Água. Com uma ação constante de detecção e conserto de vazamentos, implantação de telemedidores e equipamentos que economizam a água, a Unicamp conseguiu manter o volume de água consumido no ano passado, praticamente igual ao de 1999, quando a instituição era fisicamente 40% menor que a atual. De 70 mil metros cúbicos (m3) consumidos em 1999, a universidade chegou a um consumo de 71,9 mil m3 no ano passado.

Os gestores do plano de contingência acreditam no potencial dos equipamentos de ar condicionado da universidade para ampliar a oferta de água e na captação de água de chuva. A utilização dessas duas fontes vai depender da reativação de uma pequena estação de tratamento de água existente na universidade.

Na segunda semana de março terá início uma série de debates visam a conscientização da comunidade acadêmica e externa sobre a necessidade de adoção de medidas que uso racional da água e redução do consumo, para poder fazer frente ao agravamento da crise hídrica.

Um Comitê de Crise foi criado e uma força-tarefa está instalada para o cumprimento de ações emergenciais.

O plano, explicou Lima Jr, traz diferentes ações para diferentes cenários de oferta de água a partir de agora. Assim, estão previstas medidas que vão desde a manutenção da situação atual até a eventualidade de ocorrer um racionamento crítico no fornecimento de água.

O plano da Unicamp é parte das decisões tomadas no início do mês por reitores de sete universidades públicas de São Paulo que criaram um fórum para apresentar propostas para o governo lidar com a maior crise hídrica da história.

Dentro das universidades, os reitores começaram a discutir planos de contingência caso haja racionamento. A maior preocupação é com os hospitais universitários, responsáveis por atendimento gratuito em muitas cidades paulistas. O Hospital São Paulo, mantido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), por exemplo, é o segundo maior da capital paulista. O Hospital de Clínicas da Unicamp é o maior da cidade e tem atendimento regional.

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