Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 18h42

Por Adriana Leite e Silva

Adriana Leite

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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A greve de caminhoneiros que afeta o transporte de mercadorias em várias partes do País traz prejuízos para o bolso dos consumidores campineiros. Levantamento da Centrais de Abastecimento de Campinas (Ceasa) mostra que o valor do tomate aumentou 26% e o mamão 13,41% na última semana. Além da paralisação dos transportadores, a crise hídrica e a escassez na produção também influenciaram na variação no custo dos produtos. Na ponta, a diferença passou de R$ 3,00 no quilo do tomate e de R$ 1,00 no mamão em menos de dez dias.

Os consumidores reclamaram que tudo hoje é motivo para elevar os preços dos produtos. O jeito para economizar é comprar exatamente o volume que irá à mesa. Outra estratégia utilizada pelos compradores é substituir os produtos mais caros por outros mais em conta. O problema é que quase todos os hortifrutigranjeiros estão sofrendo reajustes de preços puxados, principalmente, pela estiagem que castiga o campo e traz o risco de desabastecimento para as cidades.

Em nota, a Ceasa informou que houve uma redução de 75% na oferta de tomate e mamão nesta semana no entreposto. Uma grande parcela do fornecimento dos dois alimentos é proveniente das regiões Norte, Nordeste e Sul, que foram fortemente impactadas pelos bloqueios realizados pelos caminhoneiros em greve. Na última quarta-feira, o quilo do tomate Débora extra era vendido por R$ 4,50 e o do mamão Formosa extra por R$ 2,20 no entreposto.

Representantes de varejões afirmaram que vários fornecedores informaram que estão perdendo pedidos em decorrência de compras que estão paradas nas estradas em virtude da greve dos caminhoneiros. Ainda não há desabastecimento de produtos, mas os comerciantes temem que uma duração mais longa da greve provoque a falta de alimentos. “A situação é preocupante porque muitos produtos, principalmente, frutas vêm de outras regiões do País. A sorte é que também há fornecedores locais. Ainda não há falta de produto, mas os preços estão subindo já faz um bom tempo”, disse o gerente do Hortifruti Fartura, Geraldo Matozinho da Silva.

Ele comentou que a greve foi mais um fator que pesou para a alta de preços. “Nesta semana, percebemos que houve uma nova alta nos preços de produtos como tomate e vagem. Nós estávamos comercializando o quilo do tomate italiano por R$ 3,99 e agora está R$ 7,99. A vagem saia por R$ 9,99 e passou para R$ 14,99. Não há como absorver as elevações no custo de tantos produtos e os operacionais como a energia elétrica. Os repasses acabam chegando no preço final”, salientou.

A proprietária do Varejão Abolição, Leila Brusco, afirmou que não registrou alteração de preços em decorrência da greve dos caminhoneiros. Contudo, ela também ressaltou que os preços estão subindo nos últimos dois meses. “As variações ocorrem por conta da seca que reduz a produção e provoca perdas no campo. Foram registradas várias altas nos últimos meses”, disse.

Ginástica

Os consumidores precisam fazer verdadeira ginástica no bolso para conseguir colocar comida na mesa. O preço do tomate em varejões da cidade variava ontem de R$ 4,00 a R$ 8,99, dependendo do tipo. O quilo do mamão Formosa tinha um custo de R$ 4,50 a R$ 5,00. “Tudo está mais caro. Atualmente, compro a quantidade exata que pretendo levar à mesa. Também substituo produtos mais caros por outros mais em conta. Ainda assim, a alimentação cada dia pesa mais no bolso”, afirmou a nutricionista, Fabiana Garussi.

O engenheiro mecânico, Aroldo Felício Damasi, disse que o preço do tomate dobrou entre a semana passada e ontem. “Estou reduzindo a quantidade que compro. Ajusto o volume conforme o preço. A tendência é que os valores continuem subindo nos varejões e supermercados”, salientou.

Elemento

700

localidades

são fornecedoras de produtos para a Ceasa Campinas

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Adriana Leite e Silva