Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 16h16

Por Sarah Brito Moretto

Foto: Edu Fortes (Mário Gatti)

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Para enfrentar uma possível segunda epidemia grande de dengue – como ocorreu no último ano – a Prefeitura de Campinas começou a reorganização do Complexo Hospitalar Ouro Verde e Hospital Municipal Mário Gatti para atendimento exclusivo de casos da doença. A operação de “guerrilha” também foi montada em 2014, quando a cidade registrou em todo o ano mais de 42 mil pessoas infectadas. A medida ocorre devido a experiência do ano anterior e considerando o cenário regional e estadual: cidades próximas, como Mogi Mirim e Itapira, já vivem surtos da doença.

Os pacientes são direcionados a salas exclusivas de soro, evitando a fila de espera dos pacientes com outras doenças. A coleta de exames para confirmação da doença também é feita de forma separada. A Secretaria de Saúde informou também que fez um provisionamento de recursos materiais e de recursos humanos (hora extra, conforme for preciso) e montou um grupo para enfrentar uma eventual situação de crise.

Geralmente, são consumidos 4 mil litros por mês. Em março do ano passado o número quintuplicou e, em abril, considerado pico da epidemia de dengue, foram consumidos 40 mil litros de soro para hidratação e medicação para a doença, além de outras patologias.

A diretora de Saúde, Monica Macedo Nunes, afirmou ontem que a lógica é e se antever a uma epidemia de dengue. “Estamos nos organizando, para não fazer as compras [de insumos] às pressas”, disse. Ela informou que a Prefeitura ainda não tem uma projeção definitiva do cenário da doença nos próximos meses. No entanto, a Administração trabalha com a possibilidade de comprar 50% a mais de insumos do que o ano passado. Isso é possível devido ao registro de preços, documento que estima (para mais) no orçamento anual o valor com gastos públicos.

“Fazemos o acompanhamento sistemático, e, por enquanto, o número está equacionado. Mas sentimos que tem a possibilidade de aumentar com o passar do tempo, inclusive pelo cenário regional”, disse. Hoje, os exames estão sendo feitos pelo Laboratório Municipal, mas se for necessário, está sendo pensado em suporte de pessoal.

Segundo último balanço divulgado pela Prefeitura, na primeira quinzena de fevereiro, Campinas já confirmou 211 casos de dengue em janeiro deste ano e outros 1.002 continuam em investigação. No ano passado, quando a cidade viveu a maior epidemia de sua história, o município registrou 262 deles em janeiro. A Secretaria informou que divulgará novo balanço no próximo mês.

Intertítulo – Hospital

Ontem à tarde, o Hospital Municipal Mário Gati estava superlotado, com todas as cadeiras na área interna ocupadas, além de pacientes esperando na parte externa. Alguns, cansados, deitaram-se sobre as cadeiras de plásticos. Uma delas era a doméstica Maria Sebastiana dos Santos, de 51 anos. Com sintomas de dengue, ela aguardava às 15h o resultado do exame para confirmar a doença. Ânsia de vômito e dor de cabeça eram os sintomas que indicavam doença. Ela chegou no hospital às 10h e levou 3h para ser atendida.

“Tomei soro, e agora estou esperando. Essa doença acaba com a gente, estou com o corpo mole. E precisa esperar”, disse. Outro paciente que procurou a unidade de saúde com sintomas da doença foi o auxiliar administrativo Roberto Silva, de 46 anos. Ele chegou no Mário Gatti às 12h e às 15h ainda não havia sido atendido. Ele mora no Campo Belo II, onde acredita ter levado a picada do mosquito. “Estou com dor de cabeça e dor no corpo. Como nessa época eu sei que o bicho pega, vim para cá direto”, disse.

Intertítulo - Epidemia

É considerado epidemia quando há mais de cem casos a cada 100 mil habitantes. O procedimento que passa a ser adotado é que o paciente suspeito de estar com dengue no bairro seja automaticamente diagnosticado como confirmação da doença para dar agilidade ao tratamento.

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Sarah Brito Moretto