Publicado 25 de Fevereiro de 2015 - 18h34

FOTOS DE DOMINIQUE

Cecília Polycarpo

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

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Cerca de trinta alunos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) vandalizaram uma rotatória que foi cercada pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Endec), na parte externa da instituição, na madrugada de anteontem. Segundo a PUC, os estudantes “estariam indignados pela obstrução do balão”, que era usado para eventos de Diretórios Acadêmicos e Atléticas da universidade. Uma sindicância foi aberta na PUC para apurar o caso e os considerados responsáveis serão submetidos a penalidades previstas no Estatuto e Regimento Geral da Instituição.

O boletim de ocorrência, registrado por um dos vigilantes da PUC no 4º Distrito Policial, diz que foram queimados 80 metros de tela que cercavam uma rotatória da PUC, quebrados 10 cavaletes e danificados 60 vergalhões de aço de uma polegada da faculdade. O balão fica próximo à portaria 2 da PUC. Apenas um aluno do curso de Publicidade e Propaganda foi identificado. O caso ocorreu às 0h45 de terça-feira, de acordo com o B.O., mas foi registrado apenas na madrugada de hoje.

O Correio conversou com o estudante identificado. Ele afirmou que seu nome consta no registro porque foi falar com um dos guardas da faculdade quando a confusão começou. Ele afirmou que não se envolveu na confusão, apenas conversava com amigos. “Eu disse meu nome e disse que ia tentar falar com o pessoal para eles pararem de danificar a grade. Tentei amenizar a situação. Os guardas sabem que não fiz nada”, disse.

O jovem afirmou que o grupo vandalizou o espaço depois de uma festa de “boas-vindas” aos calouros de 2015 no Campinas Hall. Os estudantes ficaram por meia hora na rotatória e depois se dispersaram. O local é conhecido por reunir alunos depois de festas. “O que posso garantir é que nenhum dos estudantes que queimaram a tela era de cursos de Comunicação”, falou o jovem.

Outro discente que presenciou a ação disse que o grupo que foi ao local era grande, mas que poucos foram responsáveis pela depredação. “A maioria ficou sentada no meio-fio da calçada, conversando. A bagunça foi coisa de dois ou três”.

Em nota oficial, a PUC disse informou que os envolvidos “foram orientados pela segurança que o ato caracterizava-se como vandalismo”. O texto diz ainda que a Polícia Militar foi acionada e compareceu ao local, porém os alunos já haviam ido embora. A rotatória é uma praça pública, mantida pela universidade.

CPI

Alunos da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas) estão sendo ouvidos pela Comissão de Inquérito Parlamentar (CPI) que investiga violações de direitos humanos em trotes. Na última segunda-feira, eles voltaram a relatar casos violência física em, verbal e tortura psicológica sofridos dentro e fora do campus em depoimentos, em audiência na Câmara de Campinas. No boletim de ocorrência que registrou os atos de vandalismo, foi mencionado que os alunos fizeram os atos “em represálias à CPI”, mas a universidade negou depois o fato.

Ao todo, 23 pessoas de Campinas foram convidadas para depor. A CPI, conduzida pelo deputado estadual Adriano Diogo (PT) - presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), investiga em universidades de todo o Estado denúncias de estupros, racismo e sexismo em trotes. Ainda esta semana, um relatório parcial deve ser entregue ao Ministério Público.