Publicado 25 de Fevereiro de 2015 - 16h41

Por Sarah Brito Moretto

Foto: Janaína

Sarah Brito

DA AGÊNCIA ANHANGUERA

[email protected]

A Secretaria de Saúde de Campinas abriu, por meio de liminar da Justiça, mais de 200 residências abandonadas, fechadas ou negligenciadas pelo proprietário no ano passado para eliminar possíveis focos de criadouros de mosquito Aedes Aegypti, transmissor do vírus da dengue. A liminar foi obtida em março de 2014 e a ação de vistoria iniciada em abril, auge da pior epidemia da doença na cidade, que contaminou mais de 43 mil pessoas. A autorização judicial é usada de forma excepcional, e a Prefeitura ainda não abriu casas desabitadas este ano. Apesar disso, moradores de Campinas estão preocupados com possíveis criadouros em casas, devido ao armazenamento de água em galões e caixas dágua extra em meio a crise hídrica e um possível racionamento.

O uso da liminar é uma última alternativa para as ações, informou a Secretaria. O objetivo é entrar em contato com responsável, o que não permite uma ação imediata no local. De acordo com a decisão da Justiça – ainda válida para este ano – o agente de controle de vetor está liberado para executar todos os serviços necessários a erradicação dos possíveis criadouros. Se necessário, é permitido o arrombamento ou apoio da Guarda Municipal. Em caso de eventuais danos pelo ingresso forçado, a Prefeitura deve reparar o prejuízo.

Dados da Secretaria de Saúde mostram que em média três toneladas de entulho são recolhidas só nos mutirões de combate a dengue, por dia. Nos últimos dois anos foram retiradas 420 mil toneladas de entulhos que poderiam acumular água.

Segundo último balanço divulgado pela Prefeitura, na primeira quinzena de fevereiro, Campinas já confirmou 211 casos de dengue em janeiro deste ano e outros 1.002 continuam em investigação. No ano passado, quando a cidade viveu a maior epidemia de sua história, o município registrou 262 deles em janeiro. A Secretaria informou que divulgará novo balanço no próximo mês.

Intertítulo – Mudança de hábito

No Jardim Florence, região noroeste da cidade, foi uma das áreas mais contaminadas pela dengue no último ano, e a preocupação da população continua este ano. Com baldes e caixas dágua extras para enfrentar a crise hídrica e um possível racionamento, moradores do bairro redobraram os cuidados com a água reservada e parada, um possível criadouro do mosquito transmissor da dengue.

A dona de casa Maria Inês Alves, de 51 anos, armazena água da chuva em uma caixa dágua externa, em seu quintal. Para evitar a criação do mosquito, ela buscou uma tela no Centro de Saúde do bairro para proteger o local do depósito de larvas. “Uso a água para molhar a horta e as plantas. Colocamos um cano para ela cair direto do telhado. Também economizei na conta de água”, disse ela. São 500 litros de água, e o excedente – quando chove muito – é armazenado em galões de 5 litros. O marido, o aposentado David Alves, de 55 anos, disse que a dengue preocupa o bairro, mas que com cuidado e atenção aos focos, é possível evitá-la. “Ano passado, ninguém da minha família pegou. Foi triste, escapamos pelo cuidado que tivemos”, disse.

A família de Sebastião Sartori, de 77 anos, e Gloria Sartori, 70 anos, também armazenam água no quintal. Ela vem da chuva – também captada pela calha do telhado – e da máquina de lavar, que é reaproveitada para lavar o quintal. “É duro ficar sem água, cada pessoa tem que se precaver, e não esquecer da dengue. Porque é pior depois”, disse. Eles mantém os três galões, quatro baldes e uma caixa dágua de 500 litros tampados.

Intertítulo - Orientação

De acordo com a coordenadora da Vigilância Ambiental de Campinas, Ivanilda Mendes, é preciso armazenar adequadamente, mantendo a água em um recipiente com vedação perfeita. “Precisa verificar antes se já não tem larva. Se tiver, jogar a água fora e lavar bem o recipiente. Também é possível colocar sal ou hipoclorito (agua sanitária) nessa água”, explicou. Ela disse também que é importante fazer vistorias semanais para evitar criadouros, e lavar a borda interna. O risco é que p mosquito coloque o ovo nesse limite entre a água e a tampa.

Escrito por:

Sarah Brito Moretto