Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 16h11

Por Vilma Gasques - Especial para Metrópole

Doenças Crônicas

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Doenças Crônicas

A população brasileira está envelhecendo e, com isso, aumenta o número de pessoas com condições crônicas, como as que sofrem de Mal de Parkinson, Alzheimer, diabetes, problemas cardiovasculares e doenças nos rins e nos pulmões. Além de lidar com o problema físico, esses pacientes convivem com medo, ansiedade, depressão, diminuição da autoestima, perda de autonomia e prejuízos à qualidade de vida. E, por isso mesmo, requerem cuidados permanentes e a atenção de profissionais treinados.

 

Foto: Istock

 

Uma das iniciativas na área é o Serviço de Internação e Atendimento Domiciliar (Siad) do Hospital Beneficência Portuguesa de Campinas, cujo objetivo é dar continuidade ao tratamento hospitalar na casa do paciente – o público é formado por indivíduos com perfil crônico e paliativo, acompanhados em diferentes procedimentos, desde antibioticoterapia até suporte de ventilação mecânica. “A proposta de tratamento é elaborada pela equipe conforme as necessidades de cada paciente, considerando a dimensão do suporte familiar”, esclarece o médico Danilo Glauco Pereira Villagelin Filho, responsável pelo programa. Ele destaca que o serviço é realizado pela Equipe Multidisciplinar de Atenção Domiciliar com a qualidade, a tecnologia e o conhecimento disponíveis no hospital.

“O atendimento domiciliar é benéfico ao paciente porque evita a permanência prolongada no hospital, diminuindo riscos de infecção e proporcionando a ele maior conforto e a atenção da família”, observa Villagelin Filho. O Siad do Beneficência Portuguesa de Campinas iniciou suas atividades em 2006 e hoje atende mais de 400 pacientes.

 

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Mais cuidado

O atendimento domiciliar de pacientes crônicos, em recuperação pós-cirúrgica e idosos é o foco da Home Angels Campinas-Guanabara. “Os cuidadores auxiliam a pessoa, adaptando-a à nova realidade, respeitando seus hábitos e costumes, dentro das limitações decorrentes das patologias, o que melhora a qualidade de vida”, afirma a enfermeira Elaine Alves, coordenadora da empresa. O atendimento começa com a visita de uma enfermeira, para avaliar o estado do paciente e fazer as orientações necessárias. Depois, uma equipe é treinada para as necessidades daquela pessoa e encaminhada para acompanhá-la, em visitas agendadas de acordo com a demanda. Há, inclusive, orientações em relação a alimentação, adequação do ambiente e acompanhamento fisioterápico.

Segundo Elaine, para muitos pacientes é difícil se ver numa situação de dependência e até invasão de privacidade, uma vez que, num momento, eles são independentes e fazem tudo e, no outro, estão em casa, totalmente dependentes. “O ideal é nos prepararmos para todas as fases da vida, mas, quando chega a velhice, em muitos casos não há uma aceitação”, comenta. Outra situação é a negação da família em aceitar que o paciente esteja debilitado. “Muitos não aceitam fazer o tratamento adequado, dar os medicamentos e seguir orientações importantes. A autoestima desse paciente também fica muito abalada. Muitos são lúcidos e ativos e, por causa de patologias degenerativas, entram em depressão”, avalia.

 

Foto: Leandro Ferreira/ AAN

É preciso carinho, muito carinho

“Para cuidar de um idoso é preciso carinho, atenção e nunca dizer não. Caso contrário, por mais inconsciente que seja, pode surgir uma ira. Para cada pessoa há um cuidado diferente, porque cada um tem o seu jeito de ser”. A afirmação é da proprietária do Fênix Pensionato, Nilcilene Carvalho. Na casa de repouso, o atendimento é personalizado e a qualidade de vida, estimulada por uma equipe multidisciplinar qualificada. As visitas médicas são semanais, com avaliação individual – quando necessário, há visitas de emergência. Os dados clínicos dos hóspedes são monitorados diariamente e colocados à disposição da família e do médico particular.

Considerado modelo, o local tem média de 100% de pacientes reabilitados ou mantendo a estabilidade de doenças progressivas nas melhores qualificações. “Em doenças como o diabetes, conseguimos controlar somente com a alimentação. Em outros casos, é preciso inserir a medicação. Já o Alzheimer, é mais difícil, pois o paciente tem altos e baixos, tudo é imprevisível. É necessário tratar cada etapa de forma diferenciada, mas sempre com medicamentos. Muitas vezes, há que se aumentar a dosagem da medicação num período e diminuir em outro, mas tudo com orientação médica”, ressalta Nilcilene.

 

Foto: Divulgação

A alimentação é diferenciada, variada e fracionada para facilitar a ingestão e a digestão, uma vez que o metabolismo dos pacientes é diferente. Uma nutricionista acompanha o processo, da escolha dos alimentos até o momento de servir. O atendimento especializado é completado pelos serviços de fisioterapia e de saúde mental. Além da unidade de Campinas, a empresa inaugurou em Jundiaí o Hotel de Campos.

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Vilma Gasques - Especial para Metrópole