Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 5h30

O ano de 2015 começou com más notícias vindas do mercado de trabalho. A taxa de desemprego saltou de 4,3% em dezembro para 5,3% em janeiro, o maior percentual desde setembro de 2013, informou ontem o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).A Pesquisa Mensal de Emprego mostrou um corte de 220 mil vagas nas seis principais regiões metropolitanas do País, além de um aumento de 22,5% na fila do desemprego.Economistas alertam que a deterioração no mercado de trabalho no início do ano extrapolou o esperado efeito sazonal, que prevê a tradicional influência negativa sobre a taxa de desocupação proveniente da dispensa de trabalhadores temporários e retomada na procura por emprego após as festas de fim de ano.“Esse aumento de um ponto porcentual na taxa de desemprego na passagem de dezembro para janeiro em 2015 foi além de uma tendência sazonal”, disse a economista Mariana Hauer, do banco ABC Brasil, para quem a queda na população ocupada no período foi influenciada pelo nível fraco de atividade, sob pressão de resultados aquém do esperado na produção industrial e vendas no varejo.Outro indício de que a piora no emprego foi mais acentuada do que deveria para o período foi a taxa de desemprego de janeiro ter sido maior também do que os 4,8% registrados no mesmo mês do ano passado. Houve extinção de 109 mil postos de trabalho. A carteira assinada encolheu 1,9%, o equivalente a 224 mil vagas formais a menos. “A fotografia de agora é dispensa de trabalhadores em algumas atividades e maior procura por trabalho”, resumiu Adriana Beringuy, técnica da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE.Apenas a indústria dispensou 216 mil trabalhadores no período de um ano, o que pode ter impactado também na redução da formalização. “A indústria é um setor em que a maior parte dos trabalhadores tem carteira assinada, então acaba impactando o emprego formal”, disse Adriana.A região metropolitana de São Paulo, que responde por 47% dos ocupados nessa atividade em toda a pesquisa, registrou o mesmo número de vagas extintas no parque industrial no período. A taxa de desemprego na região saltou de 4,4% em dezembro para 5,7% em janeiro. Assim como na média nacional, o resultado local também foi pior do que o verificado em janeiro do ano passado, de 5%.Há redução na população ocupada, além de crescimento na procura por trabalho. Houve corte de 154 mil vagas em janeiro ante janeiro do ano passado. Já a fila de desemprego contabilizou 69 mil pessoas a mais.“Como São Paulo tem um peso importante na nossa amostra, esse crescimento na taxa de desemprego tem reflexo sobte o total nacional”, acrescentou a técnica do IBGE, lembrando que a região metropolitana de São Paulo representa 41% da população ocupada no total da pesquisa.A Tendências Consultoria Integrada espera um agravamento maior do cenário no mercado de trabalho ao longo do ano. A expectativa de retração da atividade econômica em 2015 tende a restringir a geração de vagas e reduzir a renda das famílias, enquanto a inflação promete acelerar. (Da Agência Estado)