Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 5h30

A percepção de que a demanda está fraca e que as vendas não devem se recuperar nos próximos meses minou a confiança do comércio em fevereiro: o índice desabou 8,8% ante janeiro, o recuo mais intenso já registrado e que levou ao menor nível da série histórica, iniciada em março de 2010. Com a desaceleração do setor, pela primeira vez a sondagem indica fechamento de postos de trabalho nos próximos meses, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV).“O setor já vem em desaceleração desde o ano passado, e a possibilidade de cortes aumentou, seja na forma de não contratar para repor alguém que saiu ou de demitir mesmo”, afirmou o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos da FGV, Aloisio Campelo.Neste mês, a situação atual piorou 14,4% na visão dos comerciantes. A recomposição das alíquotas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) contribuiu para desanimar o setor, especialmente os de bens duráveis. Além disso, as avaliações de demanda insuficiente no momento atual, diante da decisão do consumidor de priorizar gastos essenciais e ter de equilibrar o orçamento, atingiram o recorde de 33,6% das respostas.A previsão de demanda futura também piorou, e a tendência de negócios para os próximos seis meses vai mal na percepção dos comerciantes. Com isso, o Índice de Expectativas (IE) cedeu 4,6%, sinalizando que o empresário não vê luz no fim do túnel. Além disso, aumentou a chance de cortes de vagas no comércio, uma das atividades que ainda sustenta o mercado de trabalho no País.Em fevereiro, o quesito de emprego previsto para os próximos três meses ficou em 98,2 pontos. É a primeira vez que o indicador fica abaixo dos 100 pontos. A medida é considerada um divisor, já que abaixo disso o cenário é considerado desfavorável. Ou seja, a fatia de comerciantes que pretendem diminuir pessoal é maior do que a parcela dos que vão aumentar - neste caso, 1,8 ponto percentual superior.A virada na tendência de emprego foi disseminada. De todos os setores, apenas o comércio de veículos apontava intenção de demitir em meados de 2014. Agora, materiais de construção, atacado e os setores mais tradicionais do varejo (que compõem o chamado segmento restrito) manifestam a mesma pretensão.Campelo lembrou que o comércio, segmento importante no setor de serviços, é um grande empregador. Por isso, a tendência negativa apontada na sondagem preocupa, embora os dados quantitativos ainda mostrem geração de postos de trabalho.Dívidas

Contas típicas de início de ano elevaram o nível de endividamento das famílias entre janeiro e fevereiro, informou ontem a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Segundo a entidade, 57,8% dos consumidores têm algum tipo de dívida, ante 57,5% em janeiro.“No primeiro trimestre incidem gastos diversos como IPTU, IPCA, matrícula escolar e materiais. Muitas famílias não se preparam e acabam recorrendo ao crédito”, explicou a economista da CNC, Marianne Hanson. Apesar da alta mensal, já esperada, a comparação anual continua mostrando que a cautela nos gastos tem dado resultado. Um ano atrás, o endividamento era maior, de 62,7%. Além disso, um fato incomum é que a redução veio a despeito da alta na fatia dos que têm contas em atraso e não terão condições de quitar esses débitos nesta mesma comparação. (Da Agência Estado)