Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h30

A aceleração da inflação, a piora das perspectivas para o mercado de trabalho e o aumento do risco de racionamento de água e de energia elétrica deflagraram uma onda de pessimismo entre os consumidores brasileiros. A confiança das famílias cedeu 4,9% em fevereiro ante janeiro e atingiu o pior nível de toda a série histórica, iniciada em novembro de 2005, informou notem a Fundação Getulio Vargas (FGV).As avaliações de que o cenário é ruim são disseminadas, principalmente quando o assunto é a economia brasileira. Diversos indicadores da sondagem bateram recordes negativos, aprofundando um movimento iniciado em janeiro.Ao todo, 75% dos consumidores esperam aceleração da inflação, e 75,4% projetam elevação dos juros. Além disso, o indicador de emprego futuro recuou 12,9%, a um nível superior apenas a novembro de 2005, primeira observação da pesquisa.“Essa percepção negativa sobre os rumos da economia deve contribuir para aprofundar a desaceleração do nível de atividade”, avaliou a economista Tabi Thuler Santos, especialista em análises econômicas da FGV.Situação atual

Um dos quesitos que afundaram neste mês foi a satisfação das famílias com a situação econômica atual, que atingiu o menor patamar da série. De acordo com a instituição, 71,6% dos consumidores apontaram que a situação da economia está ruim. O resultado é quase dez pontos percentuais maior do que o verificado apenas um mês antes (61,8%). O aumento ocorreu devido à mudança nas avaliações de muitos que ainda se mantinham neutros sobre a questão.Também nas mínimas, as expectativas para a economia são ruins para quase metade das famílias. Segundo a FGV, 45,7% do total de consumidores esperam piora nos próximos seis meses, enquanto 14,9% projetam melhora.“O pessimismo está muito forte. E, embora a avaliação sobre a situação atual tenha caído 7%, esse indicador é mais volátil. As expectativas recuaram 4,2%, e isso não costuma acontecer. É um destaque”, notou Tabi.Corre por fora o risco de racionamento de água e energia, que pode tirar conforto e trazer inúmeros transtornos para os consumidores. “Apesar de não ser um fator econômico, isso vai afetar a economia. Além disso, tem um forte fator psicológico, porque diminui o conforto das pessoas”, disse a economista.Intenção de compra

A despeito dos inúmeros sinais negativos, o indicador de intenção de compra de bens duráveis subiu 2% em fevereiro, puxado exclusivamente pelas projeções mais positivas das famílias de renda mais baixa. “O resultado pode estar associado à situação financeira. Esses consumidores estão preocupados com emprego, economia, inflação, mas quando ele olha o núcleo familiar, as finanças, ele acha que não está tão ruim assim”, afirmou Tabi. “Não dá para dizer que eles estão otimistas, mas é um movimento diferente”, ponderou. Nas faixas de renda intermediárias e mais elevadas, o índice permanece em queda. (Da Agência Estado)