Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h30

Mesmo com a inadimplência bem comportada, os juros dos empréstimos ao consumidor tiveram forte elevação em janeiro. Em média, o brasileiro pagou 39,4% ao ano pelos financiamentos - a maior taxa desde março de 2011, início da série histórica usada atualmente pelo Banco Central. O recorde, no entanto, ocorre em um momento em que praticamente não há mudança nos níveis de calote de consumidores e empresas, já que a taxa teve uma pequena alta, passando de 4,4% para 4,5% entre dezembro e janeiro.Dois fatores explicam a elevação dos juros, segundo o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. O primeiro é o atual ciclo de aperto da política monetária. A taxa básica de juros (Selic) está em 12,25% ao ano e espera-se um novo aumento na próxima semana, para 12,75%. O segundo é o “efeito composição” - quando há aumento do estoque de crédito de algumas modalidades com taxas mais elevadas, como cheque especial e crédito pessoal não consignado, por exemplo, que tiveram aumento do saldo maior em janeiro. As taxas subiram no mês passado em praticamente todos os segmentos. O cheque especial, cuja taxa de juros era tida como a maior vilã dos empréstimos, cedeu lugar ao rotativo do cartão de crédito. Em janeiro, quem entrou no cheque especial pagou 208,7% ao ano - bem acima dos 201% do mês anterior. No caso do cartão de crédito, a taxa de juros ficou em 73,3% ao ano no mês passado ante 70,6% de dezembro. No rotativo, os juros chegam a 334% ao ano, maior taxa desde 2012. (Da Agência Estado)