Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h30

Nem mesmo a criação de 1.900 postos de trabalho em janeiro foi capaz de animar os industriais da região de Campinas. Sondagem industrial divulgada ontem pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) mostra que os empresários estão muito pessimistas com a economia em 2015.

Janeiro apresentou elevação de custos, ociosidade na produção, estoques altos e queda na intenção de investimentos. Com isso, o primeiro trimestre deste ano deve ser o pior desde 2009.

Para deixar o quadro ainda mais complicado, os fantasmas da escassez de água e da falta de energia podem começar a rondar as indústrias a partir de abril. Resultado: os novos investimentos já estão comprometidos e a produção das indústrias locais corre o risco de ser afetada.

O estudo elaborado pelo Centro de Pesquisas Econômicas da Faculdades de Campinas (Facamp) apontou que os empresários estão muito temerosos com os rumos do País em 2015. O dado mais alarmante é do recuo dos investimentos e da diminuição na produção.

“No levantamento, 7,1% dos industriais informaram que vão reduzir a produção. Em janeiro do ano passado, nenhum empresário falava nisso. Outros 64,3% informaram que não vão, contra 42,4% no ano anterior”, comentou o professor da Facamp, José Augusto Ruas.

Ele salientou que o primeiro semestre deste ano será muito difícil. “Não há nenhum indicador que sinalize um cenário mais otimista para o empresariado. O único fator que poderia ajudar a indústria é o câmbio em decorrência das exportações. Mas o cenário internacional também é complicado e as exportações de manufaturados brasileiros estão em queda”, disse. Com tudo isso, Ruas prevê que haverá alta do desemprego.

Balança Comercial

Os números de exportação e importação de janeiro reforçam que a indústria deve mesmo sofrer em 2015. “Em 2004, as indústrias brasileiras tinham um superávit de US$ 24 bilhões. No começo do ano passado, o déficit já chegava a US$ 63,5 bilhões. A balança das cidades da Regional fechou o ano passado no vermelho em US$ 8 bilhões. Janeiro continuou com os mesmos problemas. As exportações caíram 31,9% e as importações 19,4% em relação a janeiro do ano passado”, detalhou o diretor de Comércio Exterior, Anselmo Riso.

Isso demonstra a freada no ritmo de produção das indústrias da região de Campinas. “A conjuntura revela diminuição das exportações e também das vendas no mercado interno”, disse.

Para o diretor-titular do Ciesp Campinas, José Nunes Filho, a criação de 1.900 empregos em janeiro é um fato sazonal. “Foram contratações pontuais. Nos últimos dez anos, em apenas três janeiros não tivemos geração de vagas. Mas a tendência é que nos próximos meses aconteçam cortes, já que as indústrias estão com estoques altos e reduzindo a produção”.

Nunes Filho não poupou críticas ao governo. “Vivemos hoje uma avalanche de aumentos. A alta dos combustíveis se reflete no preço do frete e impacta o valor das mercadorias. Os reajustes na energia elétrica e na água impactam os custos de produção. A inflação está acabando com a renda do trabalhador, que deixa de comprar. A situação é muito crítica”.