Publicado 25 de Fevereiro de 2015 - 5h30

O ano de 2015 será decisivo para as pretensões de crescimento da economia brasileira nos próximos anos. Setor produtivo e trabalhadores devem apertar os cintos porque será inevitável o ajuste fiscal que deverá ser promovido pelo governo federal. Em palestra proferida ontem, em evento realizado pelo Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) Campinas, o economista-chefe do Banco Santander no Brasil, Maurício Molan, afirmou que 2015 será um ano difícil, mas que o cenário em 2016 será melhor se a equipe econômica do governo Dilma Rousseff promover as mudanças necessárias para reativar a economia. “O ano parecerá perdido se for analisado apenas o baixo crescimento do PIB. Porém, se o governo fizer os ajustes necessários na economia, mesmo com a perda de PIB teremos ganhos futuros. O problema é se houver estagnação da economia e o País insistir nos erros”, ponderou. O economista salientou que medidas urgentes deverão ser adotadas pela equipe do ministro da Fazenda Joaquim Levy para retornar o superávit primário a 2% do PIB. Ele ressaltou que a depreciação cambial trouxe mais competitividade à indústria brasileira. Molan afirmou que o setor produtivo e os trabalhadores pagarão a conta dos gastos excessivos do governo em anos anteriores e que será inevitável alta do desemprego e da inflação.

“Outra medida que o governo deverá tomar é o ajuste das tarifas. Não se pode permitir comprometer as finanças de empresas importantes para o País. Teremos reajustes de combustíveis e energia elétrica”, comentou.

O economista-chefe projetou na palestra que a economia neste ano terá uma retração de 0,9%. Entretanto, ele foi otimista em relação a 2016 e estimou que, se as medidas forem adotadas, o País pode crescer acima de 1% no próximo ano. “O Brasil não pode perder seu grau de investimento e vai ter que promover ajustes. A partir do próximo ano, o País começa a crescer acima de 1%”, salientou. (AAN)