Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 19h05

Contos, poemas e haicais que captam a essência de pequenas coisas estão presentes no livro Atrás da Porta e Por Aí, produção independente da escritora Naira Souto, que será lançado hoje na Livraria da Villa do Galleria Shopping. Mineira radicada em Campinas, amante da bossa nova, ela explica que focou “na simplicidade do sentir e do olhar, na marca da poesia que cada um de nós faz, em algum momento, todo dia”.

Outra publicação, a ser lançada amanhã, busca desvendar a fronteira entre o real, o sonho e o imaginário. Trata-se de BH, coletânea de contos do escritor Rodrigo Bastos, que tem lançamento com noite de autógrafos amanhã, no Espaço Cultural Casa do Lago da Unicamp.

Apesar de focado na poesia, Naira alerta que se engana quem pensa que vai encontrar em seu livro coisas melosas ou superficiais. A autora se vale de textos instigantes, em que brinca com as palavras para abordar questões que estão dentro de cada pessoa, numa relação intimista entre autor e leitor. “A vida que busco retratar não vem de histórias fabulosas ou personagens grandiosos, mas brota das pequenas experiências cotidianas, recriadas na escrita com a voz dos sentimentos que nos enchem o coração”, diz.

A autora afirma estar ciente do quanto as pessoas estão apressadas e sem tempo para se dedicar à leitura, por isso procurou fazer textos curtos, mas bem trabalhados e com profundidade. “A proposta foi fazer um livro agradável de ser lido, mas com essência, simples e cativante”. O Atrás da Porta do título remete à relação que pretende manter com o leitor. “Estou abrindo a porta de minha poesia, deixando a casa à mostra, esperando a visitação do leitor a reconhecer-se na própria luz de sua experiência”.

Advogada, Naira nasceu em Belo Horizonte (MG), mas vive há 23 anos em Campinas. Sua primeira obra literária, Histórias não Contadas, de 2007, traz uma seleção de contos sob uma ótica mais existencial. Neste segundo livro, busca a mineiridade das contações de causos e desvenda a poética das pequenas coisas cotidianas.

Capitais

Apesar do nome remeter à capital mineira, BH passeia por diversas cidades brasileiras. “Cada história se passa numa cidade diferente, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Belo Horizonte. O ponto comum é a temática entre eles, que trata da fronteira entre o imaginário, a memória e a realidade”, explica Bastos. “O leitor é quem decide se a história que lê é real, uma ilusão ou sonho.” Segundo ele, a escolha do título se deu porque BH sintetiza a ideia que perpassa todos os textos. “A história que se passa em Belo Horizonte traz mais forte a ideia dessa fronteira. São três histórias numa só, uma dentro da outra, de forma circular, com um personagem que se transforma em outro que retorna ao primeiro”, aponta. Bastos é editor da revista ComCiência, da Unicamp, e tem várias publicações acadêmicas. BH é seu primeiro livro.