Publicado 25 de Fevereiro de 2015 - 19h05

[CR_TXT_3LINH]João Nunes[/CR_TXT_3LINH]

[CR_TXT_PROCE]ESPECIAL PARA O CORREIO[/CR_TXT_PROCE]

Dani Calabresa é um desperdício em Superpai (Brasil, 2015), de Pedro Amorim. Em meia hora da coletiva de lançamento, anteontem em São Paulo, ela fez os jornalistas rirem mais que o filme inteiro e deu o tom das entrevistas. Disse que era o Selton que fazia o Danton Mello (o protagonista) — “É que ele é bom ator”. Que tinha acabado de ver o filme, mas não entendeu umas partes, assistiu na versão dublada e “achou bom”.

Afora intervenções impublicáveis, contou (sempre no registro do humor) que se negou a fazer o filme quando leu o roteiro, mas aceitou porque teve o cachê dobrado. Ao falar da parceria com Dantou, fingiu-se emocionada. “Amo o Danton.” E emendou: “Vou chorar; quero uma selfie”.

Um pouco mais séria, disse ter curtido fazer comédia desbocada, ela que está acostumada com o stand-up, mas que houve espaço para o improviso, especialmente com o parceiro mais frequente de cena, Antonio Tabet.

Por fim, armou disputa de egos com a colega Mônica Iozzi, que pareceu mais séria do que se supõe. Ou melhor, era brincadeira séria em forma de pingue-pongue. “Vocês viram, saí do CQC (programa da Band) quando ela entrou”, disse Mônica. “Só tem cachê pra uma”, foi a resposta. “Minha adolescência foi normal; bizarra foi da Dani.” O troco: “Seu caminhão está lá fora esperando; a Sula Miranda (rainha dos caminhoneiros) ligou”.

Menos humorista, porém mordaz, respondeu a uma pergunta sobre se há, ainda, preconceito em relação a sexo no Brasil. “Eu ia dizer não, mas acabaram de perguntar se filmamos cenas picantes na frente das crianças. Claro que há, apesar de no Carnaval todo mundo sair pelado; o País se considera moderno, mas é contra topless e outras coisas.”

Danton Mello ficou entusiasmado antes de ler o roteiro e achou que seria chance de homenagear as filhas. Quando leu, pediu ao diretor Pedro Amorim aliviar e deixá-lo mais família. Segundo o diretor, o roteiro americano comprado pela Universal Pictures foi adaptado e devidamente amenizado. De acordo com o ator, virou história de amor entre pai e filho.

E ter filmado as tais cenas picantes perto das crianças não teve nenhum problema. “Fui criado com Daniel Filho e Paulo Ubiratan e eu estou aqui na boa. E filmava a madrugada inteira, diferentemente de hoje. E quando me perguntam se perdi alguma coisa por ter começado tão cedo, digo que não; me deu senso de responsabilidade, amadureci mais cedo, só não perdi a timidez, é uma dificuldade estar falando aqui.”

Amorim ressalta o fato de ter quebrado o estereótipo ao escalar Thogun Teixeira para o elenco, pois é o mais rico da turma, “coxinha” e que não faz o papel de negro. “Finalmente, parei de matar gente no cinema nacional”, brincou Thogum sobre seu personagem gay.

O produtor João Queiroz reconhece que o título engana e que isso foi discutido. Tanto que o slogan ficou “um filme nada família”, a classificação é de 14 anos e as crianças foram tiradas do cartaz. Amorim faz paralelo com Ted (Seth Macfarlane, 2012). “O original era muito pesado e nós humanizamos um pouco o personagem do pai”, completa Queiroz.