Publicado 28 de Fevereiro de 2015 - 5h30

A Prefeitura de Campinas vai gastar R$ 3,3 milhões para o gerenciamento dos passivos ambientais e o acompanhamento geotécnico dos aterros sanitários desativados do Satélite Íris, próximo à Pirelli, e Santa Bárbara. Seis empresas foram habilitadas ontem pela Administração no processo de licitação que será aberto dia 10 de março, para definir qual delas irá assumir o contrato por um ano para realizar o monitoramento visando a remediação futura dos danos ambientais.

Durante o ano, a empresa vencedora da licitação fará o monitoramento da água subterrânea, água superficial e dos gases e vapores produzidos nas duas áreas. Estão na disputa pelo contrato as empresas SGW Services Engenharia Ambiental Ltda., a Geotech — Geotecnia Ambiental, Consultoria e Projetos Ltda., a Servmar Serviços Técnicos Ambientais Ltda, a Bio Esfera Gestão Ambiental Ltda., a Walm Engenharia e Tecnologia Ambiental e a Weber Consultoria e Engenharia Ambiental Limitada.

O gerenciamento desses passivos é parte de um termo de ajustamento de conduta (TAC) assinado entre a Prefeitura e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para que o município pudesse obter a licença de operação do Aterro Delta. Com o fim da vida útil do Delta no ano passado, o lixo de Campinas passou a ser levado para Paulínia.

O Delta A, que recebia cerca de mil toneladas de lixo por dia, funcionou sem licença definitiva desde a sua fundação, em 1992, e foi interditado em 2008 porque nunca atendeu ao TAC firmado entre o Executivo e a Cetesb. A agência condicionou a autorização de operação desde que a Administração entregasse um levantamento da situação da contaminação e apresentasse uma proposta de remediação dos danos ambientais causados nas glebas onde funcionavam o lixão do Íris e o aterro de Santa Bárbara, na Rodovia Campinas-Monte Mor — áreas utilizadas como depósito de lixo nos anos 1980 e 1990. Somente agora Prefeitura vai contratar empresa para fazer o gerenciamento do passivo.

O lixão no Íris surgiu em 1972, quando a Prefeitura decidiu utilizar uma área de 42 hectares para depositar resíduos. Por 12 anos, o lixo foi jogado sem compactação e a céu aberto. A cobertura só ocorreu em 1986, com uma camada de argila.

A partir de 1984, os resíduos passaram a ser depositados no aterro Santa Bárbara, que recebeu aproximadamente 1,26 milhão de toneladas. O aterro contou com um sistema de aproveitamento do biogás gerado, que visava o abastecimento da frota de caminhões da coleta do lixo, mas o projeto foi encerrado. O adensamento populacional na área ocasionou pressão popular para o fechamento do local, em 1992.