Publicado 28 de Fevereiro de 2015 - 5h30

Não bastasse a carga de impostos e taxas que sufoca o contribuinte no início de cada ano, o brasileiro começou 2015 com aumentos expressivos nos valores das tarifas de água, energia elétrica e combustíveis. Uma pequena bomba inflacionária numa conta corrente que já vinha debilitada pelas despesas festivas de dezembro. Em Campinas, o prejuízo foi maior. Além do considerável aumento no preço da gasolina e do álcool promovido pelo governo, o cidadão amarga ainda a conta média mais alta do Estado na hora de encher o tanque de combustível.

Dados da Agência Nacional de Petróleo (ANP) revelam que o preço médio do litro, tanto da gasolina como do álcool, em Campinas, está acima da média do Estado. Os valores são superiores a mercados como São Paulo, Guarulhos e Jundiaí. A margem de lucro por litro na rede campineira superaria até a da Capital.

As justificativas dos setores envolvidos são muitas e difíceis de o consumidor aceitar. A lógica de mercado dita que quanto mais longe do produtor estiver o consumidor, mais cara será a mercadoria, pois no preço final está embutido o transporte. Não seria o caso de Campinas, já que a refinaria fica aqui ao lado, em Paulínia. O aumento do etanol também é incompreensível: São Paulo é o maior produtor de álcool do País, mas isso não é um fator preponderante no cálculo de seu preço no varejo.

Outro fator bastante peculiar na cadeia de combustíveis é a maioria dos postos da cidade cobrarem praticamente o mesmo valor pelo produto, com variações de alguns décimos de centavos. É como se todos tivessem as mesmas despesas, mesmo tamanho de área, mesmo número de funcionários, apesar de estarem em regiões com características mercadológicas diferentes. Não cabe afirmar que exista um cartel — quando há um acordo explícito ou implícito entre concorrentes para, principalmente, fixação de preços —, mas a coincidência indigna o consumidor, que fica impossibilitado de escolher produtos mais baratos. Obviamente, essa atitude é negada pelos setores envolvidos, garantindo que cada proprietário de posto defina livremente o preço do litro.

O fato é que o combustível está entre as principais despesas de uma família ou de uma empresa, e qualquer alteração em seus valores gera um aumento de preços em cadeia de diversos produtos, gerando inflação e perda de poder aquisitivo do consumidor. Mais uma vez, a conta acaba sobrando para o cidadão, e cada vez mais salgada.