Publicado 27 de Fevereiro de 2015 - 5h30

Para enfrentar uma possível segunda grande epidemia de dengue, a Prefeitura de Campinas começou a reorganização do Complexo Hospitalar Ouro Verde e Hospital Municipal Dr. Mário Gatti para atendimento exclusivo de casos da doença. A operação de “guerrilha” também foi montada em 2014, quando a cidade registrou em todo o ano mais de 42 mil pessoas infectadas. A medida ocorre devido à experiência do ano anterior e considerando o cenário regional e estadual: cidades próximas, como Mogi Mirim e Itapira, já vivem surtos da doença.

O esquema especial, no entanto, ainda não foi viabilizado e também não foi informada uma data para que tudo esteja pronto. Ontem, por exemplo, o Mário Gatti estava lotado e pessoas com sintomas de dengue esperaram horas por atendimento. Quando o sistema começar a ser colocado em prática, os pacientes serão direcionados a salas exclusivas de soro, evitando a fila de espera dos pacientes com outras doenças. A coleta de exames para confirmação de dengue também é feita de forma separada. A Secretaria de Saúde informou também que providenciou recursos materiais e de recursos humanos (hora-extra, conforme for preciso) e montou um grupo para enfrentar uma eventual situação de crise.

Geralmente, são consumidos 4 mil litros por mês. Em março do ano passado, o número quintuplicou e, em abril, considerado pico da epidemia de dengue, foram consumidos 40 mil litros de soro para hidratação e medicação para a doença, além de outras patologias.

A diretora de Saúde, Monica Macedo Nunes, afirmou ontem que a lógica é se antever a uma epidemia de dengue. “Estamos nos organizando, para não fazer as compras (de insumos) às pressas”, disse. Ela informou que a Prefeitura ainda não tem uma projeção definitiva do cenário da doença nos próximos meses. No entanto, a Administração trabalha com a possibilidade de comprar 50% a mais de insumos do que o ano passado. Isso é possível devido a uma projeção feita em registro de preços, que estima (para mais) no orçamento anual o valor com gastos públicos.

“Fazemos o acompanhamento sistemático, e, por enquanto, o número está equacionado. Mas sentimos que tem a possibilidade de aumentar com o passar do tempo, inclusive pelo cenário regional”, disse. Hoje, os exames estão sendo feitos pelo Laboratório Municipal, mas se for necessário, está sendo pensado em suporte de pessoal.

Segundo último balanço divulgado pela Prefeitura, na primeira quinzena de fevereiro, Campinas já confirmou 211 casos de dengue em janeiro deste ano e outros 1.002 continuam em investigação. No ano passado, quando a cidade viveu a maior epidemia de sua história, o município registrou 262 deles em janeiro. A secretaria informou que divulgará novo balanço no próximo mês.

Espera

Ontem à tarde, o Mário Gatti estava lotado, com todas as cadeiras na área interna ocupadas, além de pacientes esperando do lado de fora. Alguns, cansados, deitaram-se sobre as cadeiras de plástico. Uma delas era a doméstica Maria Sebastiana dos Santos, de 51 anos. Com sintomas de dengue, ela aguardava às 15h o resultado do exame para confirmar a doença. Ela tinha ânsia de vômito e dor de cabeça, chegou no hospital às 10h e levou três horas para ser atendida. “Tomei soro, e agora estou esperando. Essa doença acaba com a gente, estou com o corpo mole. E precisa esperar.”

Outro paciente que procurou a unidade de saúde com sintomas da doença foi o auxiliar administrativo Roberto Silva, de 46 anos. Ele chegou às 12h e às 15h ainda não havia sido atendido. Silva mora no Campo Belo II, onde acredita ter levado a picada do mosquito. “Estou com dor de cabeça e no corpo. Vim para cá direto”, disse.

SAIBA MAIS

É considerado epidemia quando há mais de cem casos a cada 100 mil habitantes. O procedimento que passa a ser adotado é que o paciente suspeito de estar com dengue no bairro seja automaticamente diagnosticado como confirmação da doença para dar agilidade ao tratamento.