Publicado 26 de Fevereiro de 2015 - 5h30

Fevereiro chega ao fim com uma notícia muito aguardada pela população do Estado de São Paulo. Graças à chuva do mês, a segunda cota do volume morto do Sistema Cantareira foi recuperada. A notícia, por melhor que seja, é apenas um leve alento na grave crise hídrica que assola o Estado desde o final de 2013, e não afasta o risco de racionamento. Ainda falta recuperar a primeira cota da reserva técnica, que é de 182 bilhões de litros, um volume bem maior de água, para que o Cantareira retorne ao seu volume útil, aquele que fica acima das comportas das represas. A esperança está nas chuvas de março, mas o mês é curto para receber o volume necessário, e as previsões não são nada otimistas. Em abril começa a estiagem e a chuva só volta em setembro.

A recuperação da segunda cota do volume morto é uma linha frágil. Basta parar de chover alguns dias para que o nível baixe. Enquanto o governo estadual — que tem sido criticado pelos analistas por sua atuação na crise — tenta encontrar soluções que garantam o fornecimento, com atraso de no mínimo uma década, cabe à população fazer sua parte e economizar o precioso líquido. Um bom exemplo vem dos moradores da Grande São Paulo, que conseguiram poupar o suficiente para que ainda exista água no Cantareira.

As administrações municipais da região também estão fazendo sua parte e criando alternativas para reduzir o consumo, como a construção de pequenas barragens nas áreas urbana e rural e adotando rodízios e racionamento. Também urge investir na troca da obsoleta rede de água, por onde são perdidos milhares de litros. As indústrias, por sua vez, substituem máquinas antigas por modernas, que utilizam menos líquido no processo produtivo. Cada gota poupada agora dá a esperança de passar o período de estiagem com água na torneira.

É perceptível que a crise mudou os hábitos da população, mas ainda falta consciência de que economizar é cada vez mais necessário. Há muito se fala sobre a escassez no planeta e pouco se faz a respeito. Vivemos hoje as consequências. O fato é que chegamos a esse extremo pela falta de planejamento estatal e por acreditar que a água seria um bem inesgotável, apesar de vários alertas contrários de especialistas e da própria natureza.

Resta ao cidadão fazer a lição de casa, que é economizar água o máximo possível, e cabe às esferas responsáveis (governos municipal, estadual e federal) tomar atitudes que garantam o abastecimento futuro. A crise já havia sido anunciada, foi ignorada, mas agora não temos escapatória: precisamos de água.