Publicado 25 de Fevereiro de 2015 - 5h30

As obras de requalificação da Avenida Francisco Glicério, em Campinas, começam efetivamente no sábado de manhã, com a abertura das primeiras valas para o aterramento da fiação elétrica e a substituição da rede hidráulica centenária, no trecho entre a Avenida Orosimbo Maia e a Rua Marechal Deodoro.

Durante as intervenções, previstas nesta primeira ação para durar 40 dias, o trânsito naqueles 240 metros será parcialmente interrompido e controlado por agentes de trânsito. Só vai permanecer o fluxo local de veículos. Os operários vão trabalhar das 7h às 22h, de segunda a sexta-feira, com expediente ocasional aos sábados e domingos.

Até o próximo final da semana, os comerciantes do trecho vão ser informados sobre quais investimentos precisam ser feitos em cada estabelecimento. As reuniões são organizadas pela Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), que detalha o projeto aos lojistas. A entidade negocia as linhas especiais de crédito para a readequação de fachadas e instalações.

Cada comerciante precisa arcar com as adequações internas de seu prédio. Engenheiros ou técnicos autorizados precisam adaptar o padrão de entrada que pode viabilizar a ligação na rede subterrânea. O lojista também vai pagar pelas novas ligações de água, esgoto e telefonia. Ao mesmo tempo em que terá gastos, o cidadão vai arcar com prejuízos nas vendas. As obras podem afugentar os consumidores durante o período das intervenções.

O prefeito Jonas Donizette (PSB) — que fez ontem o lançamento oficial do programa, em uma cerimônia organizada em tenda montada na Praça Guilherme da Silva — já espera algumas reclamações, mas acredita que o resultado final das intervenções vai compensar. O prefeito quer fazer da Glicério um modelo para o futuro Centro revitalizado.

“A cidade se transformou em uma metrópole e a revitalização não pode mais esperar. A gente precisa de um Centro mais organizado, funcional, acessível, limpo. E a mudança tem um custo”, disse.

As obras serão executadas quadra a quadra. Pelas projeções do poder público, até novembro será executada a remodelação do trecho que termina no cruzamento com a Avenida Moraes Salles. Depois as obras serão interrompidas, para que não prejudiquem as vendas do Natal. Em janeiro, os serviços serão retomados até o cruzamento com a Aquidabã. Até abril do ano que vem, estima-se que os 2,3 quilômetros da via estarão remodelados.

Última geração

O aterramento da fiação é o tópico mais ousado do projeto de revitalização da Glicério. A CPFL Energia vai assumir integralmente investimentos da ordem R$ 12 milhões. Segundo o vice-presidente de Operações da companhia, Hélio Viana, o projeto campineiro é semelhante aos recentemente implantados na revitalização urbana de cidades como Ribeirão Preto, Sorocaba, Santos e Jundiaí. Além de melhorar qualidade visual da avenida, as obras vão reduzir a influência de fatores ambientais na distribuição de energia.

A nova rede hidráulica da Glicério — orçada em R$ 3 milhões — vai substituir tubulações seculares, apodrecidas ou defeituosas em diversos pontos. Para o prefeito, o projeto colabora com o combate ao desperdício de água.

A nova Glicério também terá uma das calçadas ampliada (para favorecer a circulação de pedestres), estações de transferência, vagas padronizadas de estacionamento e iluminação especial de prédios históricos.

Pichadores

A Prefeitura de Campinas ainda pretende fechar o cerco contra os pichadores e evitar a poluição visual da Glicério revitalizada. O projeto de requalificação prevê espaços específicos para a arte da grafitagem, mas o poder público não vai tolerar ações criminosas, que hoje comprometem fachadas e marquises por toda a região central. De acordo com Jonas, a Secretaria Municipal de Assuntos Jurídicos vai apresentar, até abril, um estudo com adequações legais necessárias para a punição dos infratores. “É preciso que os pais e os responsáveis respondam pelas infrações cometidas pelos menores”, falou. “A cidade não tolera mais as ações de quem faz o que quer no espaço público ou destrói o que não lhe pertence. No momento em que o poder público tiver o amparo legal, o combate à pichação será efetivo”, comentou o prefeito.